VALE A PENA ORAR SE DEUS JÁ SABE DE TUDO? 09/05/2010
Esta é a indagação da alma aflita, principalmente aquela que se descobre, pela Escritura, como alguém dependente, limitado e fraco. O problema não é a oração. Orar é uma bênção e faz parte da vida cristã. O crente deve orar sempre (1Tessalonicenses 5:17): sempre para Deus em nome de Jesus com o auxílio do Espírito Santo (Mateus 6:9; Lucas 10:21; João 11:41,42; 14:14,16; 15:7; Romanos 8:26,27) e sempre de acordo com a vontade de Deus (Salmo 40:8; 143:10; Mateus 6:10; 12:50; 26:42; João 5:30; Romanos 12:2). Por isso, não faltam versículos na Bíblia que nos incentivem à oração e a súplica.
Entretanto, orar por algo que não seja da vontade de Deus é perda de tempo por alguns motivos. Primeiro, Deus não muda Seus planos. Eles não podem ser frustrados (Jó 42:2), porque Seu conselho dura para sempre (Salmo 33:11). Por ser Imutável (Salmo 102:27; Malaquias 3:6; Hebreus 1:12; 13:8; Tiago 1:17), Deus não muda de opinião nem de ação (Provérbios 19:21; Isaías 14:27; 25:1; 46:10; Jeremias 4:28; Daniel 4:35; Atos 5:39; Efésios 1:11; Hebreus 6:17). Em segundo lugar, por ser rebeldia pedir algo que desagrade à vontade divina. Jesus ensinou Seus discípulos a orar segundo a vontade do Pai (Mateus 6:10). Não adianta insistir na idéia de que Deus nos ouvirá se clamarmos intensamente. Jesus mesmo descartou esta visão, dizendo que ela era mais comum aos gentios (Mateus 6:7,8). Temos que aprender esta dura verdade: Orações que não estão de acordo com a vontade de Deus não serão respondidas. Até mesmo aquelas que parecem ser bem espirituais.
Por exemplo, Moisés pediu para ver a glória de Deus, mas o Senhor rejeitou (Êxodo 33:17-20). O mesmo Moisés implorou ao Senhor para que entrasse em Canaã, mas Deus não lhe ouviu (Deuteronômio 3:23-26). Davi implorou em favor de seu primeiro filho com Bate-Seba, mas não foi ouvido (2Samuel 12:16). Quando Israel estava no sétimo ano do exílio de Babilônia (590 a.C.), os líderes do povo foram consultar o Senhor, mas Deus disse que não iria respondê-los (Ezequiel 20:3). E finalmente podemos citar Paulo, que estando com “um espinho na carne, um mensageiro de Satanás” (2Coríntios 12:7) que o atormentava – possivelmente uma enfermidade – ora pedindo o livramento; e não orou uma vez, mas três, e ainda assim não obteve a resposta que desejava (2Coríntios 12:8,9).
Será que a oração muda alguma coisa? Muda, se a oração estiver sintonizada com a vontade de Deus. Mas certamente a oração não mudará o coração do Deus eterno, pois Deus não é movido pelas circunstâncias, muito menos pelas manifestações de piedade. Deus se move de acordo com Seu plano e levanta pessoas para orarem de acordo com Seu plano para que os seres humanos, limitados no tempo e no espaço, aprendam a ver que o Reino de Deus é maior e mais amplo que a nossa mente pode imaginar.
O nosso grande problema é que os cristãos atuais ainda não aprenderam a confiar plenamente em Deus. O relacionamento com Deus é pragmático, onde Deus é apenas uma máquina com um botão verde escrito, “start”. E infelizmente, muitos cristãos não apenas assimilam este deus ex machina, como também o aplicam nas diversas áreas de suas vidas. Por isso as crises e a falta de confiança em Deus. O apóstolo Tiago disse acertadamente: “Vocês cobiçam e não as têm; matam e invejam, mas não conseguem obter o que desejam. Vocês vivem a lutar e a fazer guerras. Não têm, porque não pedem. Quando pedem, não recebem, pois pedem por motivos errados, para gastar em seus prazeres” (Tiago 4:2,3).
E a oração do justo? Não pode muito em seus efeitos? Muitos gostam de invocar Tiago 5:16 para pensar na idéia de algo que mova o coração de Deus. No grego temos a expressão “poly ischyei déêsis dikaiou energoumenê” (Polu. ivscu,ei de,hsij dikai,ou evnergoume,nh), que literalmente significa: “A oração do justo é muito capaz e poderosa”. Capaz (ivscu,ei) aqui significa “ter capacidade, ter recursos, poder”. Poderosa vem de um vocábulo conhecido, energéô (evnerge,w). Mas a questão não gira em torno destas palavras, mas do justo. Quem é o justo? Aquele que foi justificado por Cristo (Romanos 1:17; 5:1; 8:1). Ele pode pedir qualquer coisa? Sim, mas estando ele envolvido com Cristo, fará apenas o que Cristo manda. De modo que, estando em Cristo, o justo não pedirá coisa alguma que esteja fora da vontade de Deus, pois este é o seu prazer (Salmo 1:2; 119:16,24,47,77,111).
A oração do justo não é centrada em si mesmo porque ele não é o centro de tudo; sua justiça é baseada na Justiça de outro, Cristo (Isaías 11:1; 42:6; Jeremias 23:5; Apocalipse 19:11).
Vale à pena orar a um Deus Soberano? Certamente que sim! Podemos não apenas orar, mas também confiar em Deus que é sábio, poderoso, amoroso e cuida dos Seus. Seus planos não são apenas imutáveis como o Seu ser, são também bons, os melhores para a nossa vida.

Uma ótima semana com Cristo, Pr. Gilson Jr.
 
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