AS FALSAS-VERDADES DO INFERNO 08/02/2009
Minha alma geme quando escuto alguém falar a seguinte falácia: “Não importa se fixar numa igreja; o importante é servir Jesus em qualquer lugar”. Este pensamento é vil, antibíblico e reflete o pensamento do mundo sem Deus. Infelizmente muitos cristãos, desavisados, infantis e medíocres, que sem a base bíblica correta, acabam sucumbindo ante o canto da “sereia pós-moderna”. Esse “canto da sereia” é baseado em falsos pressupostos:
1. O importante não é a igreja que você vai, mas sua relação com Jesus;
2. Não precisamos nos sujeitar a qualquer liderança da igreja, apenas a nossa interpretação, pois temos igualmente o Espírito Santo;
3. A igreja está no mundo, não devemos nos fixar em nenhuma delas, pois as “placas” são influências humanas.
Estes pressupostos parecem corretos, mas na verdade são enganosos. Por que? Porque eles não condizem com a Bíblia. O que diz a Bíblia verdadeiramente? Se ela é a nossa única regra de fé e prática, o que a verdade de Deus pode nos dizer?
1. A sua relação com Jesus vai levá-lo a amar a Igreja. A Bíblia diz que a Igreja é a noiva de Cristo (2Coríntios 11:2; Apocalipse 19:7; 21:2,17). Paulo fala da relação conjugal, comparando-o a relação entre Cristo e a Igreja (Efésios 5:22-33), a ponto de declarar que “... Cristo amou a igreja e entregou-se por ela” (v.25). Quem ama a Jesus, ama a Igreja. Se a sua relação com Cristo for saudável, isso será visível pelo seu amor e cuidado pela Igreja de Cristo;
2. A Igreja é importante sim, principalmente à comunidade local. Engana-se que, fazer parte da Igreja de Cristo é ser apenas parte do Corpo de Cristo espalhado no mundo. Para ser parte da Igreja de Cristo espalhada no mundo, você precisa fazer parte da Igreja local, da comunidade que está inserida num lugar específico e se comprometer com ela. O termo evkklhsi,a (ekklêsía) aparece 114 vezes no Novo Testamento. Destas ocorrências, 85 delas se referem claramente a uma comunidade local. Ou seja, mais de 74% das ocorrências no Novo Testamento referem-se a uma comunidade local, uma organização definida por responsabilidade coletiva (1Coríntios 11:17-34), propósito de celebração de culto ao Senhor (Atos 11:26; 1Coríntios 14:19,23), formada com seus oficiais regulares, bispos (pastores ou anciãos) e diáconos (Filipenses 1:1; Atos 20:17; 1Timóteo 3:1). Essa comunidade local é um Corpo autônomo, onde cada igreja tinham seus costumes (1Coríntios 11:16), resolviam seus problemas sem nenhuma interferência externa, salvo quando se tratava de um conselho (1Coríntios 5:4,5; 6:4), uma igreja que tinha o direito de determinar seus próprios planos de ação (Atos 15). A pergunta que surge é: Se a igreja local não é importante, por que há tantas referências no Novo Testamento sobre isso?
3. A liderança de Igreja está debaixo da orientação do Espírito Santo. É uma falácia quem pensa que o crente é apenas dirigido pelo Espírito Santo. Deus não é um Deus dúbio, que ora diz uma coisa, ora diz outra. Sua Palavra é consistente e firme, Seu propósito eterno e fiel. Aqueles que afirmam não estar sujeito à autoridade, exceto a do Espírito Santo, na verdade são classificados na Bíblia como rebeldes, e a rebeldia é como o pecado de feitiçaria (1Samuel 15:23). A verdade Bíblica é que não há autoridade que não tenha sido constituída por Deus (Romanos 13:1). Desde o Antigo Testamento Deus levantou líderes para guiarem Seu povo. Todos aqueles que se rebelaram contra a autoridade foram repreendidos por Deus. O exemplo clássico disso foi o caso de Corá, Datã e Abirão (Números 16). A argumentação deles contra Moisés e Arão foi aparentemente espiritual: “... Basta! A assembléia toda é santa, cada um deles é santo, e o SENHOR está no meio deles. Então, por que vocês se colocam a cima da assembléia do SENHOR?” (Números 16:3). A argumentação era: se Deus está no meio da assembléia, então todos podiam falar, argumentar ou dirigir Israel, não apenas Moisés e Arão. Era isso um prenúncio da democracia. Entretanto, eles esqueceram de que o Rei era Deus, que era Ele quem designava os líderes de Seu povo. Neste caso, uma Teocracia. Deus puniu eles, suas famílias e seguidores de forma severa (Números 16:31-35). O Novo Testamento também traz sérias advertências que arrogam para si uma autoridade que Deus não deu. A estes a Bíblia chama de falsos-profetas (cf. Mateus 7:15; 24:11,24; 2Pedro 2:1; 1João 4:1,4). Paulo disse que deveríamos ter cuidado com estas pessoas: “Recomendo-lhes, irmãos, que tomem cuidado com aqueles que causam divisões e colocam obstáculos ao ensino que vocês têm recebido. Afastam-se deles” (Romanos 16:17). Esses falsos líderes servem seus apetites carnais e enganam os de coração ingênuo (Romanos 16:18,19).
4. O fato de termos diversas denominações não implica influências humanas. Desde a Igreja primitiva podemos encontrar igrejas diferentes. Engana-se quem pensa que a igreja que nos apresenta o livro de Atos era uma unidade absoluta. Lemos Lucas dizer: “Da multidão dos que creram, uma era a mente e um o coração...” (Atos 4:32). Onde residia esta unidade? Na mente e no coração. Implica em unidade de propósito, de credo, de visão. Mas isso não excluía as diferenças. Existiam cristãos judeus e gentios; alguns criam que os gentios deveriam se submeter à Lei de Moisés, enquanto outros achavam que não. Leia Atos 15 e veja que este foi o tema central do Concílio de Jerusalém. Existiam diferenças entre Pedro e Paulo, entre Paulo e Barnabé. Existiam comunidades com influência de João, outras com influência de Pedro, outras com influências de Paulo. A Igreja de Jerusalém tinha a influência e a liderança de Tiago irmão de Jesus. Mas uma coisa é certa: eles criam na mesma coisa, em Jesus Cristo, Deus, Senhor e Redentor. Aqueles que criticam as “placas de igrejas” na verdade nunca entenderam que a unidade não é fruto de uma ação humana, de um personalismo, mas da influência poderosa de Cristo na vida dos crentes. Temos que ter em mente o seguinte: Unidade no essencial; Liberdade no não-essencial; Amor em tudo.
Traduzindo: Essencial é aquilo que não podemos negociar: A Soberania de Deus, a Inspiração das Escrituras, a Trindade Divina, a Salvação única e exclusiva na pessoa de Jesus Cristo. Ou seja, são as doutrinas-chave do cristianismo. Não-essencial é aquilo que temos margem para uma interpretação variada: Forma de batismo, liturgia, ceia e assuntos sobre costumes. E Amor em tudo implica em respeitar as diferenças entre as várias comunidades do Senhor, lembrando o que nos disse o próprio Cristo: “Tenho outras ovelhas que não são deste aprisco. É necessário que eu as conduza também. Elas ouvirão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor” (João 10:16).
Por isso cuidado! Satanás tem agido com falácias desde o Éden, e aqueles que caíram no engano amargaram muito em suas vidas. Cuidados com aqueles que falam mansamente. Suas palavras vêm do inferno. Tomemos a palavra do apóstolo Judas como advertência contras às falácias deste tempo: “Pois certos homens, cuja condenação já estava sentenciada há muito tempo, infiltraram-se dissimuladamente no meio de vocês. Estes são ímpios, e transformam a graça de nosso Deus em libertinagem e negam a Jesus Cristo, nosso único Soberano e Senhor... Ai deles! Pois seguiram o caminho de Caim, buscando o lucro no erro de Balaão, e foram destruídos na rebelião de Corá... Estes são os que causam divisões entre vocês, os quais seguem a tendência da sua própria alma e não têm o Espírito” (Judas 4,11,19).

Tenha uma ótima semana com Jesus Cristo.
De seu amigo, Pr. Gilson Jr.
 
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