UMA GUERRA ETERNA 04/01/2009
O ano novo inicia-se sob a sombra de uma guerra antiga. Israelenses e Palestinos brigam pela terra de Canaã. Mas como entender este conflito? Como dois povos brigam por um pedaço de terra do tamanho aproximado de Sergipe?
A verdade é que esta luta vem desde os tempos bíblicos. Abraão teve dois filhos: Isaque e Ismael. Embora Ismael seja mais velho que Isaque, ele não era o filho da esposa de Abraão, mas de uma concubina. Como era o costume da época, um homem que tivesse uma esposa que não pudesse ter filhos, poderia tomar a concubina para gerar um filho. Mas se a esposa legítima gerasse um filho, este seria considerado o primogênito, embora fosse mais novo. Foi isso que aconteceu. Ismael era filho de uma escrava egípcia (Hagar). Deus prometeu a Hagar: “... Você está grávida e terá um filho, e lhe dará o nome de Ismael, porque o SENHOR a ouviu em seu sofrimento. Ele será como um jumento selvagem; sua mão será contra todos, e a mão de todos contra ele, e ele viverá em hostilidade contra todos os seus irmãos” (Gênesis 16:11,12).
Depois que Sara engravida e gera Isaque, ele passou a ser o primogênito. Quando Isaque tinha por volta de três anos de idade (idade em que a criança era desmamada, cf. Gn. 21:8), Sara exigiu que Abraão mandasse embora Ismael e Hagar. Ismael já tinha por volta de 17 anos (cf. Gn. 16:16; 21:5). Abraão ficou perturbado, mas Deus lhe disse: “Não se perturbe por causa do menino e da escrava. Atenda a tudo o que Sara lhe pedir, porque será por meio de Isaque que a sua descendência há de ser considerada. Mas também do filho da escrava farei um povo; pois ele é seu descendente” (Gênesis 21:12,13). Aqui começou o conflito.
Ismael teve 12 filhos e uma filha e seus descendentes passaram a viver na região do Sinai e da península arábica (cf. Gênesis 25:12-18). Os árabes descendem de Ismael e os palestinos nada mais são que árabes. O mais interessante é que Jacó, filho de Isaque que recebeu a primogenitura (direito de receber as bênçãos do pai e conseqüentemente a liderança), que teve seu nome mudado para Israel (cf. Gênesis 32:22-32), também teve 12 filhos e uma filha (cf. Gênesis 35:23-26).
Ainda segundo a Bíblia, Esaú, que era o primogênito de Isaque, mas que vendeu seu direito para Jacó, casou-se com Basemate, filha de Ismael (Gênesis 36:3). Os descendentes de Esaú ocuparam a região ao sul do Mar Morto e foram conhecidos como Edom ou edomitas. Edom significa “vermelho”, numa possível alusão ao caldo de lentilhas que Jacó fez para enganar Esaú (Gênesis 25:25-34). A descendência de Esaú viveu bem próximo a descendência de Ismael. E na história do Antigo Testamento sempre houve conflito entre Israel e Edom, bem como entre Israel e algumas tribos árabes (2Crônicas 26:6-8; Neemias 2:19; 4:7).
Compreendemos que o conflito é mais do que a mídia nos apresenta. Ele já se estende há mais de 3000 anos. É a luta de ser reconhecido, é uma luta entre aceitação e rejeição. Ismael foi rejeitado por Abraão, Esaú foi rejeitado por Isaque. Os mais novos (Isaque e Jacó) receberam as bênçãos, enquanto os mais velhos deveriam estar sujeitos a eles.
O conflito iniciado a partir de 1897, quando foi fundado o movimento sionista, e alguns judeus começaram a migrar para a região da Palestina, foi apenas mais um detalhe na entrucada história que envolve estes irmãos. Os conflitos que se seguiram apenas mostram como esta região tem uma história, no mínimo, especial. Portanto, este conflito não será terminado com apenas rodadas diplomáticas e pedidos de paz. Se faz necessário fazer uma leitura histórica mais profunda, examinar as raízes amargas que envolvem estes povos.
Por isso a Bíblia nos orienta: “Orem pela paz de Jerusalém...” (Salmo 122:6). Mas quando esta paz virá? Diz o profeta: “O SENHOR salvará primeiro as tendas de Judá... Naquele dia procurarei destruir todas as nações que atacarem Jerusalém. E derramarei sobre a família de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém um espírito de ação de graças e súplicas. Olharão para mim, aquele a quem traspassaram, e chorarão por ele como quem chora a perda de um filho único, e se lamentarão amargamente por ele como quem lamenta a perda do filho mais velho” (Zacarias 12:7a,9,10). E o profeta ainda fala mais: “Depois o SENHOR sairá para a guerra contra aquelas nações... Naquele dia os seus pés estarão sobre o monte das Oliveiras... Então o SENHOR, o meu Deus, virá com todos os seus santos. Naquele dia não haverá calor nem frio. Será um dia único, um dia que o SENHOR conhece, no qual não haverá separação entre dia e noite, porque nem mesmo depois do anoitecer, haverá claridade... O SENHOR será rei de toda a terra. Naquele dia haverá um só SENHOR e o seu nome será o único nome... Jerusalém estará segura” (Zacarias 14:3,4a,6,7,9,11b). O dia da paz só acontecerá quando Jesus Cristo, o Messias de Deus, vier pela segunda vez. Desta vez, entretanto, virá como Senhor absoluto. E como disse o profeta, “Jerusalém estará segura”.
Oremos pelos filhos de Abraão. Mas acima de tudo estejamos atentos para os desdobramentos do que acontece naquela região, pois o tempo da vinda do Senhor está próximo. Maranata! Vem Senhor.

Tenha uma ótima semana com Jesus Cristo.
De seu amigo, Pr. Gilson Jr.

 
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