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| ABORTO – A LEGALIZAÇÃO DO ASSASSINATO |
04/05/2008 |
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Este tema sempre provoca discussões apaixonadas. O aborto é visto por muitos como a “solução” para os problemas sociais, para milhares de crianças abandonadas e para as mulheres vítimas de “açougueiros” aproveitadores. Esta pseudo-solução é colocada como uma forma até mesmo de planejamento familiar. Não são raros os defensores que usam todo tipo de argumentos para defenderem o aborto. Dou dois exemplos.
O primeiro exemplo do Professor do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o economista Samuel Pessoa, que concorda com o governador do Rio, Sérgio Cabral Filho. Diz ele que a liberação do aborto pode reduzir, anos mais tarde, a criminalidade. Em parceria com o economista Gabriel Hartung, Pessoa fez uma pesquisa com base em dados da Secretaria de Segurança de São Paulo e concluiu que os filhos de mães adolescentes ou de famílias desestruturadas têm maior probabilidade de serem criminosos (Estado de São Paulo – 28/10/2007).
Ora, isso é o mesmo que dizer que todos os filhos de mulheres pobres e sem uma estrutura familiar adequada vai ser potencialmente um criminoso. Entretanto, não é isso que vemos. Quem foi que espancou aquela empregada doméstica no ponto de ônibus? Foram por acaso favelados ou jovens de famílias desestruturadas? E quem queimou o índio Galdêncio em Brasília? Os criminosos que assim agiram eram “mauricinhos”, bandidos com muito dinheiro e com famílias em bairros nobres do Rio de Janeiro e em Brasília. Além disso, a Bíblia já nos adverte sobre a natureza humana decaída. Diz Davi: “Todos se desviaram, igualmente se corromperam; não há ninguém que faça o bem, não há nem um sequer” (Salmo 14:3). Jesus também disse: “Pois do coração saem os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as imoralidades sexuais, os roubos, os falsos testemunhos e as calúnias” (Mateus 15:19). E aqui não há diferenciação social. Rico ou pobre, letrado ou analfabeto, famoso ou anônimo, não importa, todos são iguais e podem agir de uma maneira reprovável. O aborto não cabe neste argumento.
Outro exemplo deplorável de defensor do aborto é o polêmico “bispo” Edir Macedo da IURD. Segundo este líder religioso, em entrevista dada a Folha de São Paulo, a defesa do aborto se dá por alguns motivos: “1. Muitas mulheres têm perdido a vida em fundo de quintal. Se o aborto fosse legalizado, elas não correriam risco de morte. 2. O que é menos doloroso? Aborto ou ter crianças vivendo como camundongos nos lixões de nossas cidades, sem infância, sem saúde, sem escola, sem alimentação e sem qualquer perspectiva de um futuro melhor? E o que dizer das comissionadas pelos traficantes de drogas? 3. A quem interessa uma multidão de crianças sem pais, sem amor e sem ninguém? 4. O que, os que são contra o aborto, têm feito pelas crianças abandonadas? 5. Por que a resistência ao planejamento familiar? Acredito, sim, que o aborto diminuiria em muito a violência no Brasil, haja vista não haver uma política séria voltada para a criançada” (Folha de São Paulo – 13/10/2008). Ainda segundo este “bispo”: “A criança não vem pela vontade de Deus. A criança gerada de um estupro seria de Deus? Não do meu Deus! Ela simplesmente é gerada pela relação sexual e nada mais além disso. Deus deu a vida ao primeiro homem e à primeira mulher. Os demais foram gerados por estes. O que a Bíblia ensina é que se alguém gerar cem filhos e viver muitos anos, até avançada idade, e se sua alma não se fartar do bem, e além disso não tiver sepultura, digo que um aborto é mais feliz (Eclesiastes 6.3). Não acredito que algo informe, seja uma vida”.
Não é a toa que a Bíblia nos adverte: “O Espírito diz claramente que nos últimos tempos alguns abandonarão a fé e seguirão espíritos enganadores e doutrinas de demônios” (1Timóteo 4:1). E depois vemos outro ultimato: “Pois virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina; ao contrário, sentindo coceira nos ouvidos, juntarão mestres para si mesmos, segundo os seus próprios desejos. Eles se recusarão a dar ouvidos à verdade, voltando-se para os mitos” (2Timóteo 4:3,4). O que este pretenso líder evangélico diz é um absurdo. Seus argumentos são facilmente desfeitos. É trágico vermos mulheres morrendo em fundos de quintais, mas ninguém pensa que alguém, ao ter uma relação sexual ilícita, se preocupa com suas conseqüências. Por que uma criança tem que pagar pela irresponsabilidade de seus pais?
Se as crianças estão aos montes nos lixões do país isso não é apenas um problema estrutural das famílias mais pobres. É um problema de toda sociedade e dos governos. Durante os cinco séculos de história de nosso país só vemos corrupção, desleixo com a educação, governos demagogos e uma população que não apenas aceita esta condição como também é corrupta ao eleger o “jeitinho brasileiro” como princípio ético. Por que as crianças vão ter que pagar por isso?
O pretenso “bispo” Macedo tenta defender o aborto colocando argumentos frágeis como as crianças que são usadas pelo tráfico de drogas. Mas novamente nos vemos diante de um problema estrutural, que é a falta do Estado nas comunidades mais pobres. Estas crianças são vítimas de um problema muito maior e que não pode ser resolvido pelo assassinato de inocentes. É fácil acusar de negligência aqueles que defendem a vida. Há diversos trabalhos sociais que visam tratar de um mal social que foi construído por séculos. Aborto não é solução, tampouco pode ser chamado de planejamento familiar. Agora, a pior declaração deste “bispo” é dizer que as crianças não vêm de Deus. Isso é um absurdo e mostra o quanto este homem conhece de Bíblia.
Tudo começa com Deus. A Bíblia diz: “Em sua mão está a vida de cada criatura e o fôlego de toda humanidade” (Jó 12:10). Nós só existimos porque Deus desejou que existíssemos. Fomos feitos por e para Deus e é nEle que descobrimos a nossa origem, nossa identidade, o que significamos, nosso propósito, nossa importância e destino. A verdade é que não somos um acidente. Quando uma criança nasce ela não é um erro ou um infortúnio. Talvez uma criança não foi planejada pelos pais ou até mesmo fruto de uma violência. Embora existam pais ilegítimos, não existem filhos ilegítimos. Para Deus não existem imprevistos, muito menos quando uma criança é gerada. A verdade é que o propósito de Deus levou em conta o erro humano e até mesmo o pecado.
Deus nunca fez nada por acaso. Ele nunca comete erros e cada coisa criada o foi por motivos certos. E o motivo central de cada coisa criada foi o amor de Deus. O apóstolo Tiago disse: “Por sua decisão ele nos gerou pela palavra da verdade, a fim de sermos como que os primeiros frutos de tudo o que ele criou” (Tiago 1:18). Deus não age de forma aleatória e cada criança gerada – não importa como ela foi gerada – o foi por propósito de Deus. Na Sua onisciência Ele conhece toda a história da humanidade. Muitos filhos que nasceram frutos, até mesmo de estupros, foram bênçãos para muitas mulheres que sofreram. Vamos matar por causa disso?
E o que dizer de Eclesiastes 6:3? Diz o texto bíblico: “Um homem pode ter cem filhos e viver muitos anos. No entanto, se não desfrutar as coisas boas da vida, digo que uma criança que nasce morta e nem ao menos recebe um enterro digno tem melhor sorte que ele”. O texto fora do contexto serve de pretexto. E o “bispo” erra terrivelmente ao usar este texto para defender o aborto.
De que fala o texto? O Escritor bíblico está falando de que as riquezas não dão sentido à vida. Ele faz alusão a muitas coisas para defender sua tese. Fala de suborno, das injustiças sociais, do amor ao dinheiro, da fragilidade humana. Para ele, o melhor para o homem é “comer, beber, e desfrutar o resultado de todo o esforço que se faz debaixo do sol durante os poucos dias de vida que Deus lhe dá” (Eclesiastes 5:18). E para que fique mais claro seu ponto de vista, o autor sagrado apresenta um caso radical, para mostrar que “não existe bem, afinal”. Ele apresenta um homem que, aparentemente, tem uma boa vida, uma prole numerosa, mas que não desfrutava o bem que Deus lhe dava. Por isso ele diz que uma criança que nasce morta – ou é abortada ainda no ventre da mãe – tem melhor destino. É claro que este aborto que se fala no texto é natural. Era melhor nascer morto a viver a vida como um morto.
A verdade é que há muitos interesses em jogo quando se defende o aborto. Não duvido que afirmativas de líderes e pessoas importantes visam atrair pessoas para si. Entretanto é importante lembrarmos que muitos defendem o aborto porque são irresponsáveis, não desejam assumir suas responsabilidades. Querem continuar a viver nas suas orgias, nas suas aberrações sexuais, destruindo algo belo que Deus criou. O sexo é lindo e deve ser feito com responsabilidade, no casamento, formando famílias estruturadas, com base sólida. Será que estamos errados em defender isso? Será que defender a vida, a família e os princípios é algo ultrapassado? Será que o “legal” é transar com quem quiser e, se por um acaso, uma criança surgir, deve ser descartada como se fosse um copo? Não creio assim.
Defendamos a vida, a família e os princípios divinos. Façamos todo esforço para convencer amigos, familiares, vizinhos e colegas que a vida vem em primeiro lugar. Que Deus nos ajude em tempos tão difíceis.
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