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| UMA CRIAÇÃO MARAVILHOSA |
30/09/2007 |
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Tudo que Deus fez, o fez com excelência. Nada na criação foi feito sem um propósito claro. A primeira afirmação da Bíblia é: “No princípio Deus criou os céus e a terra.” (Gênesis 1:1). A criação é, igualmente, uma das primeiras afirmações no Evangelho de João, que dentre todos os evangelhos, é o mais voltado para a teologia (Jo. 1:1-3). É evidente que a obra divina da criação ocupa um lugar de destaque na apresentação que a Bíblia faz de Deus. O primeiro artigo do Credo Apostólico diz: “Creio em Deus Pai, todo-poderoso, criador do céu e da terra.”. Desde cedo à criação foi considerada suficientemente importante, a ponto de ser incluída nesta declaração de fé.
No seu livro, “Doutrina Ecológica da Criação – Deus na Criação”, Jürgen Moltmann diz que o mundo não foi criado de uma matéria precedente e também não emanou do ser divino. O mundo foi criado por uma soberana decisão de Deus. Mas isso não quer dizer que esta criação tenha sido obra de um Deus arbitrário. Deus não jogou a sorte com o mundo como disse Einstein. Deus criou o mundo na liberdade que tinha, mas também no seu amor. Como disse Moltmann: “A criação não é uma demonstração do seu poder sem limites, mas a comunicação do seu amor sem precedentes: criação a partir do amor de Deus... Em seu amor, Deus tem a escolha, mas ele só escolhe o que corresponde ao bem da sua essência para comunicá-lo como sua criação neste amor”. Então olhe a criação como aspecto do amor de Deus.
Nesta expressão de amor está o homem. A Bíblia descreve esta criação de modo singular: “Então disse Deus: ‘Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança...’ Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” (Gênesis 1:26,27). Duas expressões aparecem com força: Imagem e Semelhança. No hebraico são as palavras tselem (~l,c,) e demûth (tWmD>). Qual o impacto destas expressões na compreensão da criação do homem? Muitos imaginam que o fato de aparecerem estas expressões significa hoje uma permissão de hoje o homem ter imagens, isso porque Deus teria sido o primeiro a construir uma imagem dele mesmo. Outros pensam que a criação do homem significa que Deus está no homem bem como em toda criação, um pensamento bem próximo do panteísmo.
De todas as criações a única que foi feita como “imagem de Deus” foi o homem. O significado disso é o seguinte: O fato de que o homem foi feito à imagem de Deus significa que ele é igual a Deus e que representa Deus. As duas palavras hebraicas se referem a algo similar, mas não idêntico à coisa que elas representam ou àquilo de que são a “imagem”. A palavra “imagem” pode também ser usada para algo que representa outra coisa. Para os hebreus esta definição era muito clara. Eles entendiam claramente o texto. Era como se a Torah dissesse: “Façamos o homem para ser igual a nós e para nos representar”. Mas qual a dimensão desta imagem e semelhança?
Imagem de Deus significa que o homem é igual a Deus nas qualidades morais, na capacidade intelectual, pureza moral, natureza espiritual, domínio sobre a terra, criatividade, capacidade de escolhas éticas e imortalidade. O homem não é um semi-deus, tampouco um “deusinho”. E Semelhança implica no entendimento do homem de quem Deus é em seu ser e em suas ações, bem como na compreensão de quem o homem é e o que ele faz. Na verdade as duas palavras trabalham conjuntamente, de modo que expressa a beleza da criação do ser humano.
Desta forma a Bíblia nos traz lições importantes. Primeiro, Deus não precisava criar o homem, mas o criou para a sua glória. Existimos para fazer “tudo para a glória de Deus” (1Co. 10:31). É por isso que somos importantes para Deus. Nossa vida só tem sentido quando vista nesta perspectiva. Em segundo lugar, Com a queda a imagem de Deus foi distorcida, mas não perdida. Isso é muito significativo. O homem deveria ser visto ainda como alguém igual a Deus. Após o dilúvio Deus fala com Noé e lhe determina: “Quem derramar sangue do homem, pelo homem seu sangue será derramado; porque à imagem de Deus foi o homem criado” (Gn. 9:6). Muito embora a humanidade esteja debaixo do jugo do pecado, há ainda suficiente semelhança a Deus. O homem não é plenamente igual a Deus, mas a condição de ser à imagem e semelhança de Deus não foi perdida. Maltratar, machucar e até mesmo assassinar um ser humano é atacar alguém feito de modo singular. Todos os homens são importantes. Em terceiro lugar, Na morte de Cristo temos a recuperação progressiva da imagem de Deus. Paulo vai afirmar que como cristãos temos a natureza do novo homem, que “está sendo renovado em conhecimento, à imagem do seu Criador” (Cl. 3:10). À medida que temos o conhecimento verdadeiro de Deus, de Sua Palavra e dos planos dEle para o mundo e para nós, começamos a ter a mesma visão de Deus. Por meio da fé em Cristo somos aproximados de Deus, e assim, como diz Paulo: “segundo a sua imagem estamos sendo transformados com glória cada vez maior, a qual vem do Senhor, que é o Espírito” (2Co. 3:18). E finalmente, Na segunda Vinda teremos a restauração completa da imagem de Deus. Essa é uma promessa maravilhosa que encontramos na Bíblia. Da mesma forma como fomos iguais a Adão – sujeitos à morte e ao pecado – seremos iguais a Cristo na Sua Vinda: “Assim como tivemos a imagem do homem terreno, teremos também a imagem do homem celestial” (1Co. 15:49).
Portanto, somos especiais. Deus, ao criar o homem à sua imagem tinha como propósito apontar para Jesus Cristo, que é “a imagem de Deus” (2Co. 4:4) e “a imagem do Deus invisível” (Cl. 1:15). Em Jesus nós vemos a semelhança humana a Deus como Deus pretendeu que fosse. Por isso não se auto-deprecie, tampouco se orgulhe. Adore a Deus por Ele ter criado você de modo tão especial e viva para a glória dEle. E aguarde com expectativa o Dia, pois como disse João: “sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, pois o veremos como ele é” (1Jo. 3:2).
Tenha uma boa semana! Do seu amigo, Pr. Gilson Jr.
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