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| A DOUTRINA CRISTÃ E AS SEITAS E HERESIAS - Parte 2 |
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5 – TESTEMUNHAS DE JEOVÁ
De todas as seitas as Testemunhas de Jeová exercem um forte tom proselitista. Consideram-se a igreja certa e todas as outras erradas e até satânicas. Possuem uma Bíblia chamada de Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, que serve bem para alcançar os seus objetivos e defender suas falsas doutrinas. Eles publicam uma enorme literatura para defender suas idéias, dentre as mais conhecidas são as revistas Despertai, Sentinela e Atalaia. Eles não se reúnem em templos, mas nos chamados Salões do Reino, uma vez que templos e igrejas tradicionais são considerados diabólicos para eles.
5.1. HISTÓRIA
No início do cristianismo, por volta do século IV, surgiu uma grande controvérsia a respeito da doutrina da Trindade. Ário, presbítero de Alexandria, negava a Trindade, a igualdade e a consubstancialidade das três pessoas (Pai, Filho e Espírito Santo). Ele começou a ensinar que Jesus Cristo era um ser criado, sem nenhum dos atributos incomunicáveis de Deus, por exemplo, eternidade, onisciência, onipotência, etc, e que sendo criatura de Deus não podia ser eterno. Logo não havia Trindade. Após muitas discussões Ário foi declarado herege pelo concílio de Nicéia em 325 d.C., permanecendo a doutrina da Trindade divina. A doutrina de Ário renasceu ao ser pregada pelos seguidores de Charles Taze Russell, as Testemunhas de Jeová.
Charles Taze Russell nasceu em 16 de fevereiro de 1852 em Pittsburg, Estados Unidos. Passou pela Igreja Presbiteriana, Congregacional e chegou a ingressar no adventismo. Em 1872, Russell começou a reunir seu grupo de discípulos para estudarem a Bíblia regularmente, e logo o elegeram pastor, embora não fosse ordenado. Dizia-se conhecedor das línguas originais da Bíblia, o que não era verdade. Em 17 de março de 1913 ele foi interrogado num processo que ele moveu contra o pastor Ross, relativo à acusação de perjúrio feita contra Russell. Durante cinco horas ele foi interrogado se conhecia o alfabeto grego. No início disse que sim, mas quando foram mostradas as letras ele reconheceu que não. Admitiu que estudara apenas sete anos, na escola pública, e que abandonou os estudos aos quatorze anos.
Em 1876 ele se uniu a dois adventistas, George Stetson e George Storrs, em que eles concordavam acerca de algumas idéias, tais como o sono da alma, a negação da Santíssima Trindade, a negação do inferno, entre outras coisas. Eles publicavam um jornal chamado Arauto da Aurora. Mais tarde, porém, eles se separaram por discordarem de alguns pontos doutrinários. A partir de 1879, Russell começou a publicar suas idéias e fundou a Sociedade Torre de Vigia para Bíblias e Tratados. Em 1891 fez sua primeira viagem missionária ao exterior. O ano de 1884 foi considerado como o ano da fundação do russelismo, que se tornou pessoa jurídica. Em 1886 as obras de Russell foram publicadas em seis grandes volumes: O romper do milênio. A essa obra foi acrescido mais um volume em 1917: O mistério terminado, sendo publicadas com o nome de Estudos na Escritura, tornando-se a exposição oficial da Bíblia para as Testemunhas de Jeová. A partir do momento em que foram organizados eles tiveram vários nomes, até que em 1931, numa Convenção tiveram uma “revelação” e adotaram o nome de Testemunhas de Jeová.
Russell marcou a vinda espiritual de Cristo em 1914. Mas com a primeira guerra na Europa era difícil distinguir os traços da batalha do Armagedom, prenunciada por ele. Como Cristo não voltou houve uma crise semelhante ao que aconteceu aos seguidores de Miller no início do adventismo. Em 9 de novembro de 1916 Russell veio a falecer e Joseph Franklin Rutherford foi escolhido para liderar o grupo em 1917. Russell havia previsto a volta de Cristo em 1914 e adiado para 1918. Como ele morreu em 1916, Rutherford refez os cálculos e transferiu a data para 1925, dizendo que eles seriam testemunhas da volta de Abraão, Isaque, Jacó e outros crentes do Antigo Testamento, que seriam despertados e restaurados em uma natureza humana perfeita. Veio o ano de 1925 e Cristo não voltou. Ele usou como desculpa que Jesus está presente, e que em breve voltará, mas este breve não significa o ano próximo. Esta desculpa é usada até hoje. Eles chegaram ao Brasil em março de 1922.
5.2. DOUTRINAS E REFUTAÇÃO
Vejamos agora as principais doutrinas e sua refutação bíblica.
1. Jesus Cristo: Para as Testemunhas de Jeová, Jesus Cristo era um deus, mas não o Deus Todo-Poderoso, porque foi a primeira criatura de Jeová e não pensava ser co-igual a Jeová, por isso ele seria uma divindade inferior a Jeová. Eles negam a encarnação de Cristo e não admitem que possuía duas naturezas. Negam o poder de Jesus Cristo de fazer expiação por nossos pecados, sua ressurreição corpórea e sua vinda visível. Para eles, Jesus era e é o arcanjo Miguel.
Mas a Bíblia refuta tudo isso nos mostrando a verdade. Jesus Cristo na Bíblia é Deus (Jo. 1:1; 5:19,21; 14:30,31; Mt. 1:23; 16:16; Rm. 9:5; Tt. 2:13; 1 Tm. 3:16; Cl. 1:16,17; Fp. 2:6,11; 2 Jo. 9; Ap. 1:8; Is. 9:6). As Escrituras atestam a sua encarnação (Jo. 1:14; At. 1:11; 1 Tm. 2:5; 3:16; Hb. 10:11-14; Fp. 2:6-11; 1 Jo. 1:7; 2:20-23; 4:1-6; Is. 9:6), sua ressurreição (Lc. 24:39-41; Jo. 20:27,28; Rm. 4:25; 1 Co. 15:15-21; 1 Ts. 4:14) e sua Segunda Vinda (Jo. 14:3; At. 1:11; 1 Ts. 1:10; 2:19; 3:13; 4:14-17). Ele é o Deus Criador e não apenas o primeiro a ser criado (Jo. 1:14,18; 3:16-18; Cl. 1:16; Hb. 1:2; 2:10; 1 Jo. 4:9). Ao vir ao mundo, Cristo assumiu a forma de servo, mas após a ressurreição o poder e a glória (Jo. 14:28; 17:5; Mt. 24:30; 28:18; Fp. 2:7-11; Hb. 2:9; Ap. 5:12).
2. A Trindade: Para as Testemunhas de Jeová a origem da Trindade é de influência pagã, remontando aos antigos babilônios, egípcios e à mitologia antiga. Segundo eles foi Satanás que deu origem à Trindade. Eles dizem que não encontram o termo “Trindade” na Bíblia e por isso não podem crer nela.
Apesar de na Bíblia não aparecer o termo há inúmeras passagens que o Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo estão atuando conjuntamente (Gn. 1:26; 11:7; Mt. 3:16,17; Jo. 14:10,16,17; 15:26; 2 Co. 13:13; Ef. 2:18; 3:14-16; Hb. 9:14; 1 Pe. 1:2; 1 Jo. 3:23,24; 5:7; Jd. 20,21). Falaremos da Trindade mais adiante.
3. O Espírito Santo: Para eles o Espírito Santo não é uma pessoa e sim apenas uma força ativa de Deus, através do qual ele realiza os seus propósitos e executa sua vontade. Neste caso o Espírito Santo seria apenas uma influência ou emanação de Deus, somente podendo ser recebido dentro da comunidade deles.
A Bíblia no entanto nos mostra a personalidade do Espírito Santo de forma incontestável. A Bíblia nos mostra que o Espírito Santo possui intelecto (1 Co. 2:10-13; Ef. 1:17; Rm. 8:27), emoções (Ef. 4:30) e vontade (At. 16:6-11; 1 Co. 12:11). Ele realiza atos que demonstram sua personalidade. Ele ensina (Jo. 14:26), testifica (Jo. 15:26; Rm. 8:16), guia (Rm. 8:14), convence (Jo. 16:7,8), contende (Gn. 6:3), dirige pessoas (At. 8:29), realiza milagres (At. 8:39), requer serviço especial (At. 13:2), envia para o ministério cristão (At. 13:4) e intercede (Rm. 8:26).
A atitude das pessoas em relação ao Espírito Santo também mostra que Ele é uma pessoa. Ele pode ser obedecido (At. 10:19-21), pode-se mentir a ele (At. 5:3), pode-se resisti-lo (At. 7:51), pode ser reverenciado (Sl. 51:11), pode ser blasfemado (Mt. 12:31) e pode ser ofendido (Hb. 10:29).
E o mais importante, o Espírito também é Deus. Por 29 vezes Ele é chamado de “Espírito do SENHOR” e 25 vezes de “Espírito de Deus”. Ele é onipresente (Sl. 139:7), participou da criação (Jó 33:4; Gn. 1:2), é o doador da vida (Rm. 8:2,11), possui sabedoria criadora (Is. 40:13). Ele é chamado de Deus (At. 5:3,4). Foi o Espírito quem gerou a Jesus (Lc. 1:35) e somente Deus pode gerar a vida.
4. Salvação: Eles não crêem no sacrifício de Cristo como algo que garante a vida eterna. O sacrifício apenas proporciona uma nova oportunidade. Jesus expiou o pecado apenas de Adão e retirou a pena de morte. Afirmam que a pessoa que crê em Cristo tem a vida eterna somente no futuro. A salvação vem também a partir da prática de boas obras e principalmente assistindo às suas reuniões.
A Bíblia ensina outra coisa sobre a salvação. Na Bíblia encontramos que existe uma necessidade de reconciliação do homem com Deus (Rm. 5:10,11; 2 Co. 5:18; Cl. 1:20). A morte de Cristo é o ponto principal do plano de salvação de Deus (Rm. 8:34; 2 Tm. 1:10; Hb. 2:14; 5:9). Segundo a Bíblia, salvação é passar da morte para a vida (Jo. 5:24), é ter vida eterna (Lc. 19:9,10; 1 Jo. 5:11-13), é nascer de novo (Jo. 3:3-6; 2 Co. 5:17; Ef. 4:24), é ir para o céu após a morte (Jo. 14:3; 17:24). Qualquer pessoa pode ser salva, bastando para isso apenas duas coisas: arrepender-se dos seus pecados e crer em Cristo (Jo. 3:16; At. 16:31; 2 Pe. 3:9).
5. A Mortalidade da Alma: A doutrina das Testemunhas de Jeová é semelhante a dos Adventistas: a alma deixa de existir até a ressurreição. Para eles é um período de absoluta inexistência. A alma humana seria semelhante à dos animais, podendo ser destruída. Ensinam que os ímpios terão outra oportunidade de receber a Cristo durante o milênio. Para as Testemunhas de Jeová os maus serão destruídos e aniquilados.
A Bíblia não nos mostra isso. Segundo as Sagradas Escrituras a alma e o corpo são distintos (Mt. 10:28; Mc. 14:38; 1 Co. 5:5; 1 Ts. 5:23; Hb. 4:12; Tg. 2:26; Ap. 1:10). Esta alma está dentro do homem (Jó 32:8; Sl. 42:6; Ez. 37:6,8,10; 1 Co. 2:11). Na morte ocorre a separação do corpo e da alma (Gn. 25:8; 35:18; 49:33; Sl. 146:4; Ec. 12:7; Lc. 16:22,23; Jo. 19:30; At. 7:59; 20:10; 2 Co. 5:1,6,8; Fp. 1:23; 2 Pe. 1:13,14; Ap. 6:9,10). A alma não morre porque, como disse Jesus, Deus é Deus de vivos e não de mortos (Mc. 12:26,27).
6. O Céu e o Inferno: As Testemunhas de Jeová dizem que o inferno é a morte física, a sepultura. Eles dizem que a Bíblia deixa claro que túmulo ou sepultura é o inferno. Sendo assim não existe o inferno como lugar de tormento para os ímpios. O céu estará reservado para os 144 mil que serão a Congregação Celestial ou o Corpo de Cristo. Segundo pregam, os crentes não vão para o céu após a morte; antes, após o fim deste mundo, o céu será o lugar onde se concretizará o reino de Deus, com a presença de todos os salvos.
Mais uma vez nós olhamos para a Bíblia e vemos a verdade. Céu e Inferno são realidades eternas e lugares que realmente existem. O céu é o lugar onde todos os salvos morarão com Deus (Gn. 5:24; Mt. 17:3; Jo. 14:2; At. 7:56-59; 2 Co. 5:1,2; 12:1-4; Fp. 1:23; 3:20; 1 Tm. 6:7; Hb. 11:14-16; 1 Pe. 1:4). O céu não é apenas para os 144 mil, e sim de uma multidão incontável (Ap. 7:9-17; 19:1).
O inferno é um lugar preparado para o Diabo e seus anjos (Mt. 25:41; 2 Pe. 2:4; Ap. 20:1-3). Este ambiente é um lugar de castigo eterno (Sl. 9:17; Mt. 5:22; 8:12; 13:41,42; 18:8,9; 25:46; Lc. 16:25,28; 2 Ts. 1:9; Ap. 19:20; 20:15; 21:8).
Existem outros grandes absurdos doutrinários das Testemunhas de Jeová, como por exemplo de que Cristo voltou em 1914, e em 1918 ele veio para o seu “templo” que são os 144 mil, que ele constituiu a “igreja”. Segundo eles em 1918, Cristo ressuscitou seu pequeno rebanho, cumprindo 1 Ts. 4:16.
Eles esqueceram de ler que a Bíblia diz o seguinte: “Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem, e todas as nações da terra se lamentarão e verão o Filho do homem vindo nas nuvens do céu com poder e grande glória...Quanto ao dia e à hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão somente o Pai.” (Mt. 24:30,36); “...Galileus, por que vocês estão olhando para o céu? Este mesmo Jesus, que dentre vocês foi elevado ao céu, voltará da mesma forma como o viram subir.” (At. 1:11).
Eles também não doam sangue, não se alistam nas Forças Armadas e não cantam o Hino Nacional. Podemos perceber que eles não têm base bíblica. Sustentam suas doutrinas deturpando as Sagradas Escrituras. Até o nome que usam não se encontra na Bíblia. Sabe por que?
Os Massoretas eram sábios judeus que compilavam os Escritos do Antigo Testamento. Como sabemos, os judeus não pronunciavam o Tetragrama Sagrado YHWH (). Toda vez que liam o A.T. eles pronunciavam ’adonay () que significa “meu senhor” ou “Senhor” neste caso aqui referindo-se a Deus. Os Massoretas pegaram as consoantes do tetragrama e intercalaram com as vogais de ’adonay, ficando a leitura da seguinte forma: YaHoWaH. Por isso é que as traduções mais modernas substituem “Jeová” por “SENHOR” quando o vocábulo hebraico é YHWH.
6 – A TRINDADE
Se há uma doutrina que sofre grandes ataques dentro do Cristianismo, então esta doutrina é a Trindade. Como conceber um Deus Uno e Trino ao mesmo tempo? A acusação feita por Mulçumanos, Judeus, Unicistas e Testemunhas de Jeová é que somos politeístas, pois não adoramos um único Deus e sim três deuses. Realmente, a doutrina da Trindade nos distingue.
Embora as Escrituras não declarem de forma aberta o assunto no entanto podemos ver a idéia permeando toda a Bíblia. A doutrina da Trindade é crucial para o cristianismo. Como diz Erickson: “Ela se ocupa em definir quem é Deus, como ele é, como trabalha e a forma pela qual se tem acesso a ele. Além disso, a questão da deidade de Jesus Cristo, que historicamente tem sido ponto de grande tensão, está muito ligada com o conceito da Trindade.” . Portanto, a doutrina da Trindade exerce uma profunda influência em nossa cristologia.
6.1. BASE BÍBLICA
A Bíblia nos dá uma base segura no que se refere à doutrina da Trindade. É certo que o termo não aparece nas Escrituras, mas podemos encontrar a sua idéia de forma clara e inconfundível. E que base bíblica podemos tomar para defender a Trindade?
Primeiramente vamos falar sobre a Unidade de Deus. Os antigos hebreus tinham uma fé estritamente monoteísta, e que se estende até o judaísmo de hoje. A unidade de Deus foi revelada em diversas ocasiões e de várias maneiras dentro da história de Israel. Logo nos Dez Mandamentos surge a declaração: “Eu Sou o SENHOR, o teu Deus, que te tirou do Egito, da terra da escravidão. Não terás outros deuses além de mim.” (Êx. 20:2,3).
Podemos ver no segundo mandamento (v.4) uma proibição da idolatria baseada na singularidade de Yahweh. Ele não toleraria nenhuma adoração de objetos feitos por mãos humanas, pois só Ele é Deus. Desta forma o Antigo Testamento rejeita o politeísmo, mostrando diversas vezes à superioridade de Deus sobre os outros deuses.
Outra indicação forte da unidade de Deus está no Shemá em Deuteronômio 6:4,5 e que representa a profissão de fé judaica: “Ouça, ó Israel: O SENHOR, o nosso Deus, é o único SENHOR. Ame o SENHOR, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todas as suas forças.”. Eles deviam meditar naqueles ensinamentos (v.6), deviam conversar sobre eles em casa, no caminho, deitados ou levantando-se (v.7), deviam usar recursos visuais para que as verdades estivessem sempre diante deles. A unidade de Deus vinculava o compromisso de Israel com o SENHOR. Eles não podiam dividir a atenção com outros deuses.
Mas a unidade de Deus não é somente vista no A.T. Podemos ver em Tiago uma recomendação à crença de um único Deus: “Você crê que existe um só Deus? Muito bem! Até mesmo os demônios crêem – e tremem!” (Tg. 2:19). Paulo, seguindo a perspectiva judaica condena a idolatria a partir do fato que existe um só Deus: “Portanto, em relação ao alimento sacrificado aos ídolos, sabemos que o ídolo não significa nada no mundo e que só existe um Deus...para nós, porém, há um único Deus, o Pai, de quem vêm todas as coisas e para quem vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, por meio de quem vieram todas as coisas e por meio de quem vivemos.” (1 Co. 8:4,6). Podemos ver outras referências da unidade de Deus em Deuteronômio 4:39, Efésios 4:6 e 1 Timóteo 2:5.
O segundo aspecto da doutrina bíblica é A Deidade dos Três. Com certeza a Bíblia defende um ponto de vista monoteísta, e não negamos que exista um só Deus. Mas o que levou a igreja a ir além destas indicações? Foi o próprio testemunho bíblico que complementou a idéia de que as três pessoas são Deus. A deidade da primeira pessoa, o Pai, é pouco discutida. Para Jesus, “Deus” e “Pai celeste” são expressões equivalentes (cf. Mt. 6:26,30), isso sem contar com as muitas referências a Deus que Jesus faz tendo em mente o Pai (Mt. 19:23-26; 27:46; Mc. 12:17,24-27).
O problema maior está na pessoa de Jesus como deidade, ainda que a Escritura também o identifique como Deus. Podemos encontrar em Filipenses 2 uma referência chave à deidade de Cristo Jesus. Ao que tudo indica os versos 5-11 era um hino da igreja primitiva, e que Paulo toma como base para que os seus leitores pratiquem a humildade. Paulo diz: “pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus;” (Fp. 2:6 - RA). A palavra aqui traduzida como “forma” vem do grego morphe (). Tanto no grego clássico, como no bíblico, o vocábulo significa “conjunto de características que fazem com que uma coisa seja o que ela é” . A Chave Lingüística define como sendo “A aparência exterior da realidade interior...se refere à aparência externa da substância divina, isto é, a divindade de Cristo pré-existente na exibição de Sua glória de ser a imagem do pai.” . Sabemos que morphe contrasta com schema (), que também em geral é traduzida como “forma”, mas no sentido de formato ou aparência superficial, em lugar de substância. O uso de morphe reflete a fé da igreja primitiva na deidade de Cristo.
Outra passagem interessante é Hebreus 1. O autor, da qual não sabemos quem foi, escreveu para um grupo de cristãos hebreus. O escritor faz várias afirmações que implicam fortemente a plena deidade do Filho, mostrando Ele como superior aos anjos, destacando-o como “herdeiro de todas as coisas e por meio de quem fez o universo” (v.2). Jesus também é descrito como “o resplendor da glória de Deus e expressão exata do seu ser” (v.3). Hebreus 1:3, a primeira parte, no grego está assim:
“”. Destacamos algumas coisas neste versículo. O vocábulo “ôn” (), que é o particípio presente do verso ser, refere-se à existência absoluta e atemporal. Outra palavra a ser destacada é “apaygasma” (), que significa radiância, resplendor. O sentido ativo tem a idéia de emitir brilho e o significado é que a glória de Deus, a mesma que aparece no A.T., radiava dEle. Ou seja, Jesus seria a fonte desta luz. Outra palavra é “charakter” (), que significa impressão, estampa, gravação. Poderia indicar uma impressão feita por um selo ou um traço característico ou distintivo. Também era usada como referência especial a qualquer peculiaridade, indicando uma “reprodução exata”. E por fim destacamos aqui “hupostaseos” (), que significa essência, substância, natureza. Estes vocábulos apontam para a ligação entre o Pai e o Filho. Além de se identificar com o Pai daquele a quem chama Filho (Hb. 1:5), Deus é citado no versículo 8 (que é o Salmo 45:6) dirigindo-se ao Filho como “Deus” e no versículo 10 como “Senhor” (do Salmo 102:25). É muito interessante notar que o escritor tenha dirigido esta carta aos cristãos hebreus, que com certeza tinham em mente um monoteísmo, e mesmo assim afirmar a deidade de Jesus e sua igualdade com o Pai.
E sobre Jesus ainda há a autoconsciência que Ele tinha. Jesus nunca afirmou diretamente a sua deidade. Ele nunca disse: “Sou Deus”. Mas podemos ver que Ele deixou várias pistas de que era assim que pensava sobre si mesmo. Ele falou sobre os anjos de Deus (Lc. 12:8,9; 15:10) como sendo seus (Mt. 13:41); considerava o reino de Deus (Mt. 12:28; 19:14,24; 21:31,43) e os eleitos de Deus (Mc. 13:20) como de sua propriedade. Além disso alegou que podia perdoar os pecados (Mc. 2:8-10), algo que os judeus atribuíam somente a Deus e que para eles tal afirmação constituía-se numa blasfêmia. Ele também reivindicava poder para julgar o mundo (Mt. 25:31) e reinar sobre ele (Mt. 24:30; Mc. 14:62). Podemos ver claramente que Jesus afirmava possuir o que pertence unicamente a Deus.
As referências bíblicas também identificam o Espírito Santo com Deus. Um exemplo disso é Atos 5:3,4, no caso de Ananias e Safira. Pedro equiparou o mentir ao Espírito com o mentir a Deus: “Então perguntou Pedro: Ananias, como você permitiu que Satanás enchesse o seu coração, ao ponto de você mentir ao Espírito Santo e guardar para si uma parte do dinheiro que recebeu pela propriedade?...Você não mentiu aos homens, mas sim a Deus.”. O Espírito Santo também é descrito como uma pessoa que possui as qualidades de Deus e executa as obras dele. Ele convence o mundo do pecado, da justiça e do juízo (Jo. 16:8-11), regenera ou dá nova vida (Jo. 3:8), concede dons à igreja e exerce soberania sobre os que recebem os dons (1 Co. 12:4-11). Além disso, ele recebe a honra e a glória reservadas a Deus.
Paulo também lembrou os cristãos que eles eram templo de Deus e que seu Espírito habita neles (1 Co. 3:16,17). Mais à frente Paulo diz que o corpo deles é um templo do Espírito Santo (1 Co. 6:19,20). “Deus” e “Espírito Santo”, ao que parece, são expressões equivalentes. Também há trechos em que o Espírito Santo está em pé de igualdade com Deus. Podemos ver isto na fórmula batismal (Mt. 28:19), na bênção apostólica (2 Co. 13:14) e na saudação de Pedro (1 Pe. 1:2).
O terceiro aspecto desta doutrina é a triunidade. Num primeiro ponto de vista, unidade e triplicidade de Deus parecem ser conflitantes. Quando a igreja começou a discutir este assunto, chegou a conclusão que Deus deveria ser compreendido como três em um, ou seja, triúno. A grande questão é: A Bíblia ensina de forma clara este tema, ou nela está apenas de forma subjetiva?
Um texto usado para defender a Trindade é 1 João 5:7,8, segundo as versões mais antigas como a Edição Revista e Corrigida: “Porque três são os que testificam no céu: o Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e estes três são um.”. Apesar de ser uma afirmação clara e sucinta da triunidade, infelizmente a base textual é tão frágil que algumas outras traduções só incluem esta declaração entre colchetes ou notas de rodapé. Mas, por que este texto não pode ser usado? Porque ele não se encontra nos textos gregos mais antigos. A ERC se utiliza do chamado Textus Receptus que no verso 7, após a palavra “testificam” (do grego ), adiciona “no céu: o Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e estes três são um”. No Textus Receptus está assim:
É importante destacar que esta passagem está ausente de todo manuscrito grego conhecido com exceção de quatro , e esses contêm a passagem no que parece ser uma tradução de uma revisão posterior da Vulgata Latina. Outra coisa é que a passagem não foi citada por nenhum dos pais gregos que, se tivessem conhecimento dela, a teriam empregado nas controvérsias trinitárias. E a passagem está ausente em manuscritos de todas as versões antigas (siríaco, copta, armênio, etíope, árabe e eslavônico), exceto em latim. No Latim antigo não se acha na forma anterio (Tertuliano, Cipriano e Agostinho) e na Vulgata editada por Jerônimo. Por que damos uma explicação sobre este versículo? Por dois motivos. Em primeiro, porque aqueles que são contra a doutrina da Trindade atacam justamente este texto como uma interpolação, e assim tentam desacreditar a posição bíblica. Em segundo, porque se existe alguma base bíblica para a Trindade, então deve estar em outro lugar. Mas onde estaria esta base bíblica?
Alguns acreditam que a forma plural do substantivo que indica o Deus de Israel, ’elohîm, é às vezes entendido como um indício da concepção trinitária. Este termo também traduz a idéia de outros deuses. Quando fala do Deus de Israel, o plural majestático revela o Deus Criador de todas as coisas. Mas, nem sempre o termo ao Deus de Israel aparece no plural. Desta forma, segundo alguns estudiosos, ’elohîm indicaria a natureza plural de Deus. Podemos ver isso em algumas passagens:
“Então disse [singular] Deus: Façamos [plural] o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança...” Gênesis 1:26 (NVI)
“Então ouvi a voz do Senhor...: Quem enviarei? [singular] Quem irá por nós? [plural]” Isaías 6:8 (NVI)
Podemos ver a mudança do singular para o plural, e que indicaria naturalmente a Trindade. Um outro texto para se entender esta triunidade pode ser vista a partir da união entre o homem e a mulher em Gênesis 2:24, em que duas entidades distintas se unem: “Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne.”. O vocábulo hebraico para “uma” é ’ehad (), o mesmo que é usado para Deus no Shemá (Dt. 6:4).
A Bíblia, em algumas partes, mostra as três pessoas associadas em unidade e aparente igualdade. Na fórmula batismal (Mt. 28:19,20), as pessoas devem ser batizadas em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Note-se que “nome” é singular, embora haja o envolvimento de três pessoas. Outra associação está na bênção em 2 Coríntios 13:14, onde os três nomes aparecem em unidade e igualdade.
Mas é no evangelho de João que podemos encontrar o sinal mais forte da Trindade. A fórmula tríplice aparece repetidas vezes (cf. João 1:33,34; 14:16,26; 16:13-15; 20:21,22; 1 Jo. 4:2,13,14). Existe uma dinâmica interna como observou George Hendry no seu livro “The Holy Spirit in Christian theology” . O Filho é enviado pelo Pai (Jo. 14:24) e vem dele (16:28). O Espírito Santo é dado pelo Pai (14:16), enviado pelo Pai (14:26) e procede do Pai (15:26). O Filho, no entanto, está profundamente relacionado com a vinda do Espírito. Desta forma ele ora por sua vinda (14:16), o Pai envia o Espírito em nome do Filho (14:26), e o Filho enviará o Espírito da parte do Pai (15:26). Para que o Espírito seja enviado o Filho deve ir para o céu (16:7). O ministério do Espírito é visto como uma continuação e desenvolvimento do ministério do Filho.
No início do Evangelho de João podemos ver um material valioso em significado na doutrina da Trindade. João diz: “No princípio era aquele que é a Palavra. Ele estava com Deus, e era Deus.” (Jo. 1:1). Aqui podemos contemplar a divindade da Palavra, e também a idéia de que o Filho, embora distinto do Pai, tem uma comunhão profunda. No texto grego este versículo se apresenta assim:
A preposição “pros” () não denota apenas uma aproximação física em relação ao Pai, mas sim uma intimidade de comunhão, um verdadeiro relacionamento pessoal. Além deste versículo podemos ver neste evangelho outras referências da proximidade do Pai e o Filho (Jo. 10:30; 14:9; 17:21).
Desta forma concluímos que a igreja formulou a doutrina de forma correta, pois embora a Escritura não declare de forma expressa, porém temos diversos indícios da deidade e unidade das três pessoas.
6.2. A TRINDADE NA HISTÓRIA
Nos primeiros dois séculos depois de Cristo o assunto Trindade foi pouco discutido. Justino e Taciano (ambos no século II) foram os pensadores a formular uma primeira idéia da unidade do Pai e do Filho. Ambos usaram a idéia da impossibilidade de separar a luz de sua fonte, o sol. Desta forma, defendiam, o Pai e o Filho não podem ser divididos ou separados, embora sejam distintos.
Outro teólogo que no segundo século foi importante chamava-se Irineu. Foi ele quem sistematizou e dominou a ortodoxia cristã antes de Orígenes. Ele enfocava Deus por dois prismas, observando o Seu ser intrínseco e o processo de auto-revelação aos homens. No primeiro prisma Irineu destacava Deus como o Pai de Todas as coisas, inefavelmente uno, contendo em Si, ao mesmo tempo, desde toda a eternidade, Sua Palavra e Sua Sabedoria. Ao Se fazer conhecer no processo da criação e da redenção, Deus extrapola ou as manifesta; na condição de Filho e de Espírito, Eles são Suas “mãos”, os veículos ou formas de Sua auto-revelação.
No terceiro século dois teólogos são visto com importância: Hipólito e Tertuliano. Eles defendiam o conceito de que Deus existe, desde toda a eternidade, que a triplicidade de Deus se manifestou na criação e na redenção. Ambos se identificavam com Irineu ao considerar esta pluralidade na vida imanente da Divindade. Destes, Tertuliano foi o mais esforçado para mostrar que a triplicidade revelada não era de forma alguma incompatível com a unidade essencial de Deus, sendo ele o primeiro a usar o termo “Trindade”. Outros ajudaram a desenvolver a teologia cristã, tais como Clemente e Orígenes. Clemente dizia que Deus era absolutamente transcendente, inefável e incompreensível. Para ele conhecer o Pai só era possível mediante Sua Palavra, ou Filho, que é Sua imagem, inseparável dEle, Sua mente ou racionalidade. O Espírito Santo era para Clemente, a luz que procede da Palavra e que ilumina os fiéis. Já Orígenes defendia o Pai, o Filho e o Espírito Santo como “três Pessoas”, distintas desde toda a eternidade.
O que podemos perceber é que até este momento havia um esforço para entender a perspectiva da Trindade, embora a resolução estivesse indefinida. O problema era o surgimento de heresias que não compreendiam a pessoa de Jesus Cristo e Sua natureza. Veja no quadro abaixo alguma destas posições.
Verdadeiro Deus Verdadeiro Homem
CONCEPÇÃO ORTODOXA DE JESUS
Uma Pessoa Duas Naturezas
Somente no século quatro a igreja começou a formular a doutrina da Trindade. A doutrina ortodoxa da Trindade foi enunciada em uma série de debates e concílios causados em grande parte pelos movimentos como o monarquianismo e arianismo. Em 325 d.C. o Concílio de Nicéia declarou o Filho como co-essencial com o Pai, enquanto no Concílio de Constantinopla (381 d.C.) foi afirmada a divindade do Espírito Santo e confirmado o Credo Apostólico decidido em Nicéia. O Concílio de Constantinopla expressou a posição de que Deus é “uma ousia [substância] em três hypostases [pessoas]”. A existência das três pessoas não significa em absoluto três deuses. Podemos ver a unidade encontrada na atividade divina da revelação. A revelação origina-se no Pai, procede por meio do Filho e é completada no Espírito. Não são três ações, mas uma ação em que todos os três se envolvem.
Com certeza a doutrina da Trindade não é fácil de compreender, porém temos que concordar que isto faz parte do mistério da pessoa de Deus. Erickson escreveu o seguinte: “Algum dia, compreenderemos melhor a Deus, mas, mesmo então, não o compreenderemos totalmente.” . Muitas pessoas, para compreenderem o mistério da Trindade, tentam formular analogias. Porém as analogias humanas não podem explicar uma dimensão espiritual que só pode ser aceita pela fé. Podemos analisar diversos textos bíblicos e fazer diversas conjecturas, mas sempre chegaremos ao limite que só pode ser transposto pela fé. Tertuliano estava certo ao afirmar que nenhuma mente humana poderia criar a doutrina da Trindade por ser absurda aos padrões humanos. Defendemos a doutrina da Trindade não porque ela é lógica ou convincente. A nossa defesa é porque foi assim que Deus a revelou. Alguém afirmou com total acerto: “Tente explicá-la, e perderá a cabeça; Mas tente negá-la, e perderá a alma.”.
Abaixo damos um quadro explicativo de heresias que o cristianismo enfrentou.
HERESIA PRINCIPAL EXPOENTE DOUTRINA
Ebionismo
- A palavra hebraica “ebionim” refere-se a uma comunidade de judeus cristãos, que acreditam em Yeshua o Messias (Jesus o Cristo). Não há consenso entre os estudiosos sobre o surgimento deste grupo. Alguns crêem que eles tenham surgido pouco antes da destruição de Jerusalém em 70 d.C. na região de Decápolis. Outros crêem que este grupo surgiu antes de Jesus, entre os essênios e os discípulos de João Batista. Alguns judeus hoje em dia acham que esta escola surgiu com Samuel, sendo outros profetas também ebionitas, tais como Elias, Amós, etc. Para este grupo o único evangelho aceito era o de Mateus, Paulo era considerado um apóstata por negar a Lei, e entendiam Jesus como Messias, mas apenas um homem entre os homens. Ou seja, negavam a divindade de Cristo. Jesus era filho de José e Maria, e tornou-se superior aos anjos porque foi adotado por Deus no batismo, sendo chamado Filho de Deus. Mais tarde o ebionismo se confundirá com o gnosticismo, o que influenciou os ensinos desta heresia.
Docetismo
- Surgiu entre os cristãos, influenciados pelo gnosticismo, a negação básica da humanidade de Jesus. Este movimento leva este nome por causa do verbo grego dokeo, que significa “parecer, passar por”. A tese central é que Jesus só parecia ser homem. Deus não podia tornar-se realmente material, já que toda a matéria é má, enquanto ele é puro e santo. Jesus era mais um fantasma do que um ser humano.
Gnosticismo
Marcião (95 – 165) Dizia querer restaurar o evangelho puro. Rejeitou o A.T., dizendo que era inútil e ultrapassado, além de revelar um deus inferior ao Deus do evangelho, sendo este uma nova revelação. Para ele Cristo não era Deus e sim apenas uma emanação de Deus. Cristo era um éon, que conseguiu transmitir o conhecimento secreto (gnosis) e libertar os espíritos deste mundo terreno.
Montanismo
Montano (120 – 180) Dizia ser profeta, e junto com Prisca e Maximilia, anunciou ser o portador de uma nova revelação. Suas profecias giravam em torno da Segunda Vinda de Cristo e incentivavam o ascetismo . Dizia que o fim do mundo estava próximo e que esperava acontecer em sua própria geração. Tinha exigências morais tais como o celibato, o jejum e uma rígida disciplina moral. Exultavam o martírio, proibia seus seguidores a fugir das perseguições e afirmava que existia pecados imperdoáveis, independente do arrependimento demonstrado. Finalmente Montano afirmou ser o Parácleto, pois nele iniciaria e findaria o ministério do Espírito Santo. Sua palavra deveria ser observada acima das Escrituras pois era a palavra a ser observada para aquele tempo do fim.
Modalismo ou
Sabelianismo
Sabélio (180 – 250) Influenciado pelo modalismo de Noeto de Esmirna, Sabélio foi a influência intelectual do movimento. O objetivo de Sabélio era preservar o monoteísmo a qualquer custo. Rejeitava o conceito de três Pessoas em uma só essência, dizendo que isso levaria a um triteísmo, ou seja, uma adoração a três deuses. Para ele Deus se manifestava com diversas faces ou manifestações, sendo uma única essência. Uma só Pessoa e três manifestações diferentes.
Adocionismo
Paulo de Samosata (260 d.C) Bispo de Antioquia que entre os anos de 260 a 272 ensinou que Jesus mantinha uma dupla filiação para com Deus, o Pai. Segundo esta heresia, Cristo era o Filho eternamente gerado do Pai, e portanto divino, Deus Filho por natureza. Jesus, o filho humano, nascido de Maria, foi adotado por Deus porque Cristo (o Deus Filho) assumiu sobrenaturalmente o homem Jesus. Este ensino não foi ensinado abertamente até que no século VIII passou a ser divulgado por Elipandus, arcebispo de Toledo, na Espanha, em 785.
Maniqueísmo
Mani (216 – 277) Foi considerado um dos últimos gnósticos. Sua heresia se desenvolveu fora do cristianismo, porém buscava nos ensinamentos cristãos respaldo para suas idéias. Incentivava o ascetismo e o celibato. Dizia que Deus se revelou a humanidade por meio de diversos servos, como Buda, Zoroastro, Jesus e, finalmente, por Mani. O universo para ele era dualista, existindo linhas morais em existência, distintas, eternas e invictas: a luz e as trevas. A salvação se dava a partir do conhecimento (gnosis).
Arianismo
Ário (256 – 336) Presbítero de Alexandria, ensinava que Jesus Cristo era um ser criado, sem nenhum dos atributos incomunicáveis de Deus. A base de seu ensino era estabelecer uma razão natural para entender a relação entre Deus e Cristo. Deus seria uma só Pessoa na divindade, e Cristo, criado por Deus, apenas um intermediário entre Deus e os homens. Por ter uma elevada posição, Cristo recebia adoração e glória. Sua heresia foi condenada no Concílio de Nicéia (325). Foi deposto, excomungado e exilado.
Apolinarismo
Apolinário (310 – 390) Bispo de Laodicéia, foi contra a posição de Ário. Mas, se opôs ao conceito da completa união entre as naturezas divina e humana em Jesus. Afirmava que Jesus não tinha um espírito humano. Segundo ele, o espírito de Cristo manipulava o corpo humano. O logos era apenas um substituto da razão humana. Dizia que a sede do pecado humano era o espírito, e com isso tentava proteger a impecabilidade de Cristo. Apolinário negava a autêntica humanidade de Jesus Cristo. Sua cristologia foi condenada no Concílio de Constantinopla (381).
Nestorianismo
Nestório (375 – 451) Patriarca da Igreja em Constantinopla, teve como objetivo expurgar as heresias na região em que controlava. Porém a cristologia dele era de que o logos habitava no homem Jesus, sendo apenas uma influência moral. O problema do nestorianismo não era em relação à doutrina das duas naturezas de Cristo, e sim, quanto a Pessoa de cada uma delas. Jesus seria apenas um hospedeiro de Cristo. Ele foi condenado no Terceiro Concílio de Éfeso (431). Ainda hoje existem igrejas que adotaram a teologia de Nestório, e são conhecidos como Caldeus Uniatos e na Índia como cristãos de São Tomé.
Pelagianismo
Pelágio (360 – 420) Teólogo britânico de vida piedosa e exemplar. O problema girou em torno da doutrina do pecado, em que ensinava que o homem poderia viver isento de pecado, que o homem fora criado a imagem de Deus e, apesar da queda, essa imagem é real e viva. Para Pelágio a morte era uma companheira do homem, e dizia que Adão, pecando ou não, morreria do mesmo jeito. O pecado original era uma impossibilidade, pois o pecado depende de uma ação voluntária do pecador. O céu poderia ser conquistado com uma vida digna, mesmo desconhecendo o evangelho. Ele enfatizava o livre-arbítrio. Foi condenado no Concílio de Éfeso (431).
Eutiquianismo
Eutíquio (410 – 470) Viveu em um mosteiro fora de Constantinopla e foi discípulo de Cirilo de Alexandria. Segundo seu pensamento, os atributos humanos em Cristo haviam sido assimilados pelo divino, pelo que seu corpo não era como o nosso. Ou seja, Cristo não era humano, no sentido restrito da palavra. Sua doutrina foi condenada em Calcedônia (451).
7 – OUTRAS HERESIAS PERNICIOSAS
Nosso objetivo não é observar todas as seitas e heresias, mas através de uma pequena amostra, analisar os perigos que nos cercam e a verdade bíblica. Devemos estar atentos pois a cada dia surge uma “nova idéia” ou “revelação” que acaba sendo um veneno para muitas pessoas. Infelizmente milhares de pessoas estão longe de Deus por não conhecerem a Verdade, que é Cristo. Bem disse Jesus: “Vocês estão enganados porque não conhecem as Escrituras nem o poder de Deus!” (Mateus 22:29). O que apresentaremos agora é uma síntese de algumas seitas e heresias.
7.1. A IGREJA LOCAL
Talvez poucas pessoas saibam, mas esse movimento traz um sério risco a fé cristã. A Igreja Local não é uma denominação. Segundo este movimento a Igreja Local é a reunião de um grupo de crentes, membros vivos de Cristo, e que não pertencem a nenhuma denominação. Segundo este grupo a ausência de um nome que ligue a alguma denominação é que as denominações são divisões e, como tais, geram divisões. Por isso, segundo os defensores deste grupo, só deve existir uma única igreja em cada cidade com o nome da própria cidade. Ainda segundo eles, todo cristão genuíno deve unir-se a essa igreja local com o nome da cidade. Esse grupo foi fundado por Witness Lee, que disse o seguinte: “Se você entrar em qualquer outra coisa afora a igreja local daquela cidade, entrará numa divisão” . Desta forma os líderes da Igreja Local advertem aos membros a não manterem relações com os crentes denominacionais, mas fidelidade incondicional à sua igreja.
Qual é o principal alvo da Igreja Local? Arrebanhar os membros das denominações evangélicas. Desta forma trabalham com um forte proselitismo, sendo gentis, calorosos, buscando manter uma profunda amizade. Geralmente eles trabalham esta penetração nas igrejas com a intenção de manter comunhão com os irmãos. Depois eles começam a vender literatura de Witness Lee, editado pela Árvore da Vida. Infelizmente poucos pastores e cristãos conhecem o perigo.
Mas quem era Witness Lee? Witness Lee foi profundamente influenciado pelo pastor Watchman Nee. Membro da Igreja dos Irmãos de Plymouth, Watchman Nee separou-se dessa igreja para criar seu próprio grupo: “O Pequeno Rebanho”. Witness Lee chegou a presidir algumas comunidades da igreja do pastor Nee. Os anos se passaram e, depois da prisão de Nee, Lee criou o seu próprio grupo com estranhas doutrinas, levando consigo muitos membros da igreja com ele. Com isso entendemos que a Igreja Local é uma divisão de duas outras denominações. A própria história do grupo serve para combatê-la e reprová-la.
E quais são as doutrinas? Podemos perceber que as doutrinas fogem plenamente das Escrituras, constituindo em um perigo tremendo:
• As Igrejas Evangélicas são organizações de Satanás: Eles dizem que a Igreja Católica Romana é a Mãe das Prostituições, a que se refere o livro de Apocalipse (Ap. 17:1-5), sendo portanto a Igreja Apóstata. As filhas desta seriam as prostitutas, representando as diferentes facções e grupos do cristianismo que ainda mantém ensinamentos, práticas e tradições da Igreja Católica Romana. Ainda segundo eles, tanto o catolicismo, como o protestantismo e o judaísmo são uma organização de Satanás, sendo instrumentos deste para danificar o Reino de Deus.
• Jesus foi corrompido por Satanás por meio da encarnação e Satanás habita no homem: Witness Lee declarou o seguinte: “Por isso, o homem tem não só a vida e a natureza de Satanás, mas também o próprio Satanás como tal espírito maligno operando dentro de si.” ; “Agora todos eles estão em nós. Adão, o ego, esta em nossa alma; Satanás, o diabo, está em nosso corpo; e Deus, o Deus trino, está em nosso espírito.” . É claro que estas afirmações estão erradas e mostram um absurdo terrível. Satanás não habita no cristão. A Bíblia diz o seguinte: “Acaso não sabem que o corpo de vocês é santuário do Espírito Santo que habita em vocês, e que lhes foi dado por Deus, e que vocês não são de si mesmos?” (1 Co. 6:19). Se o corpo é templo do Espírito Santo, como pode, ao mesmo tempo, ser habitação de Satanás?
Mas a pior declaração deles é afirmar que Jesus foi corrompido por Satanás. Veja o que diz uma literatura da Igreja Local: “Quando Deus se encarnou como homem, o tipo de homem com que Ele se vestiu era um homem corrompido por Satanás. O homem, na época da sua encarnação, já não era mais um homem puro, mas um homem arruinado, corrompido por Satanás...” . É esse Jesus a quem servimos? De modo algum!
A Bíblia é clara em afirmar que Jesus, o Verbo de Deus “tornou-se carne e viveu entre nós. Vimos a sua glória, glória como do Unigênito vindo do Pai, cheio de graça e de verdade.” (João 1:14). A Bíblia também afirma que Jesus não se corrompeu ao tornar-se humano, mas como o Cordeiro de Deus, santo e imaculado, separado dos pecadores e mais sublime que os céus: “É de um sumo sacerdote como este que precisávamos: santo, inculpável, puro, separado dos pecadores, exaltado acima dos céus.” (Hb. 7:26). A Bíblia também diz que Jesus foi tentado, mas não pecou: “pois não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, mas sim alguém que, como nós, passou por todo tipo de tentação, porém, sem pecado.” (Hb. 4:15). Com certeza Witness Lee construiu sua doutrina em seus próprios pensamentos, e não nas Escrituras. Crer nestas coisas é aceitar a perdição.
Devemos ter cuidado pois este movimento é muito sutil e perigoso. Infelizmente eles fazem uso do nome do pastor Watchman Nee, e muitas pessoas pesam estar seguindo a “verdade”. Devemos nos lembrar que só existe uma Verdade, e esta é Cristo Jesus (Jo. 14:6; Ef. 4:21). Por isso olhemos para Jesus. É no Seu exemplo que devemos nos espelhar.
7.2. UNICISMO
Dentro da unidade do único Deus existem três pessoas distintas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo; e estes três compartilham da mesma natureza e atributos; então, com efeito, estes três são o único Deus.
Há muitos cristãos evangélicos que consideram o movimento Pentecostal Unicista (também conhecido como "Só Jesus") como um movimento cristão evangélico. A realidade é que este movimento está muito longe de ser considerado como cristão; está mais para uma seita. Uma das definições teológicas de seita é: Qualquer grupo que se desvia das doutrinas fundamentais do cristianismo, como a Trindade, a divindade de Jesus Cristo e a salvação pela graça, através da fé em Jesus Cristo somente.
Os grupos mais conhecidos que compõem o movimento Pentecostal Unicista são:
* Igreja Apostólica da Fé em Cristo Jesus
* Igreja Pentecostal Unida
* Igreja Pentecostal da Fé Apostólica
* Outros grupos independentes que também crêem na unicidade de Deus, como por exemplo, a Igreja Voz da Verdade, Pentecostal Unida do Brasil, Tabernáculo da Fé, Igreja de Deus do Sétimo Dia etc.
Os pentecostais unicistas negam uma doutrina fundamental do Cristianismo: a doutrina da Trindade. Por isso seguimos a orientação de Judas 3, que nos exorta a lutar ardentemente pela fé que uma vez por todas foi dada aos santos.
O ARGUMENTO UNICISTA
A doutrina unicista está baseada no entendimento de duas verdades bíblicas. Estas bases bíblicas são usadas como fundamentos sobre o ponto de vista que tem de Deus e Jesus Cristo. A primeira verdade bíblica é que há somente um Deus e que Jesus é Deus. Destas duas verdades, os Unicistas deduzem que Jesus Cristo é Deus em sua totalidade, sendo assim, Jesus tem que ser o Pai, o Filho e o Espírito Santo, rechaçando a doutrina da Trindade.
O ARGUMENTO TRINITÁRIO
A Igreja, através dos séculos, sempre ensinou que dentro da unidade do único Deus existem três pessoas distintas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo; e estes três compartilham da mesma natureza e atributos; então, com efeito, estes três são o único Deus. Nosso estudo já trabalhou bem este assunto acima.
A teologia unicista ensina que Jesus Cristo é o Pai encarnado, e que o Espírito Santo é Jesus Cristo também. Estes ensinamentos são o pilar da teologia unicista. Vejamos se esta noção está em harmonia com as Escrituras.
É JESUS O PAI?
Vejamos alguns versículos que os Unicistas usam para provar que Jesus é o Pai.
Isaías 9:6 – o "Pai Eterno"
Este versículo não ensina que Jesus é o Pai. O título "Pai eterno", refere-se ao fato de que Jesus é o Pai da eternidade; em outras palavras, Jesus sempre existiu (João 1:1); Ele não foi criado, não teve princípio (João 17:5). O sentido é de Alguém que possui a eternidade.
O termo "Pai" não era o título que se costumava usar para dirigir-se a Deus no Antigo Testamento. Assim, este versículo não ensina que Jesus é o "Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo" (1 Pedro 1:3); em outras palavras, Jesus não é seu próprio Pai. Além do mais, no contexto de Isaías, o termo “Pai” refere-se ao Seu povo. Este Rei cuida dele “com bondade amorosa como um pai a seus filhos (cf. 22:21; 2 Rs. 13:14; Jó 29:16; Sl. 68:5).Sua paternidade é perene, pois do Seu reino não haverá fim.” .
João 10:30 – "Eu o Pai somos um"
Se Jesus houvesse querido dizer que ele é o Pai, haveria dito: "Eu e o Pai sou um" ou "Eu sou o Pai", que seria a expressão gramatical correta. Jesus não pode ser acusado de ter sido um mal comunicador. "Somos" do grego esmen (), é a primeira pessoa do plural. Jesus e o Pai são um em natureza e em essência, porque Jesus é Deus, como o Pai, mas não é o Pai.
Em João 14:8, 9 podemos ler: "Disse Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta. Jesus respondeu: Você não me conhece, Filipe, mesmo depois de eu ter estado com vocês durante tanto tempo? Quem me vê, vê ao Pai. Como você pode dizer: ‘Mostra-nos o Pai’?". Jesus NÃO disse a Filipe que era o Pai. Jesus veio como representante do Pai; veio demonstrar-nos o caminho ao Pai (v.6). Em João 5:43, Jesus disse: "Eu vim em nome de meu Pai, e vocês não me aceitaram; se outro vier em seu próprio nome, vocês o aceitarão". Vir em nome do Pai significa representá-lo, realizar a sua obra trabalhando em favor do homem, sem buscar a própria vantagem. Podemos entender aqui também que Jesus andava em unidade de propósito com o Pai.
QUE DIZ A BÍBLIA ACERCA DE JESUS E O PAI?
Jesus é referido como "Filho" mais de 200 vezes no Novo Testamento e nunca é chamado de "Pai".
Jesus referiu-se ao Pai mais de 200 vezes como alguém distinto dele. Em mais de 50 versículos podemos observar o Pai e a Jesus, o Filho, lado a lado. Por exemplo, quando após a ressurreição Maria Madalena o encontra, o Senhor diz a ela: “Não me segure, pois ainda não voltei para o Pai. Antes, vá a meus irmãos e diga-lhes: Estou voltando para meu Pai e Pai de vocês, para o meu Deus e Deus de vocês.” (João 20:17 Grifo nosso).
No Novo Testamento repetidamente encontramos expressões como estas:
"O Deus que concede perseverança e ânimo lhes dê um espírito de unidade, segundo Cristo Jesus, para que com um só coração e uma só boca vocês glorifiquem ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo". Romanos 15:5-6
"Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, Pai das misericórdias e Deus de toda consolação..." 2 Coríntios 1:3
"...Para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, no céu, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai". Filipenses 2:10-11
"Nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo".1 João 1:3b
"Meus filhinhos, escrevo-lhes estas coisas para que vocês não pequem. Se, porém, alguém pecar, temos um intercessor junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo".1 João 2:1
“Graça, misericórdia e paz da parte de Deus Pai e de Jesus Cristo, o Filho do Pai, estarão conosco em verdade e amor". 2 João 3
No Evangelho de João, Jesus refere-se a si mesmo como enviado pelo Pai, mas nunca se referiu a si mesmo como o Pai que enviou ao Filho. O Pai enviou a alguém separado dele, chamado Filho. Podemos ler em 1 João 4:9-10,14 o seguinte: "Foi assim que Deus manifestou o seu amor entre nós: enviou o seu Filho Unigênito ao mundo, para que pudéssemos viver por meio dele. Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação por nossos pecados...E vimos e testemunhamos que o Pai enviou seu Filho para ser o Salvador do mundo".
É JESUS O ESPÍRITO SANTO?
Vejamos alguns versículos que os Unicistas usam para provar que Jesus é o Espírito Santo:
2 Coríntios 3:17: "Ora, o Senhor é o Espírito e, onde está o Espírito do Senhor, ali há liberdade". O texto não diz que "Jesus é o Espírito". Se a passagem dissesse isto, talvez os Unicistas tivessem um ponto forte, mas como não diz isto, eles assumem que o vocábulo "Senhor" se refere a Jesus Cristo. Para entendermos isso melhor é importante examinarmos o contexto mais amplo. O que Paulo queria destacar? Ele queria ressaltar que a glória da nova aliança era superior pois ela era feita no Espírito e não na letra da Lei (cf. versículos 3,6,8 e 18).
Vale lembrar também que o relacionamento dos judeus com Deus na época de Paulo era mediante a Lei. Mas os cristãos se relacionavam com Deus mediante Seu Espírito. É importante também entender que o vocábulo “Senhor” no verso 16 refere-se a Deus e não a Cristo, pelo que a mesma palavra no verso 17 deve ser entendida na mesma perspectiva. A ênfase é as pessoas que se voltam a Deus e que têm o véu da mente retirado a fim de que entendam a nova aliança. Outro detalhe é entender que a expressão “o Senhor é o Espírito” não significa identificação de duas pessoas iguais, e sim é um modo de dizer-se sob a nova aliança o Senhor para nós é o Espírito.
Se os Unicistas estivessem sempre corretos ao interpretar "Senhor" como "Jesus", como ficaria Filipenses 2:11? O texto diz: "E toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai". Seguindo a linha de raciocínio dos Unicistas, teríamos de concluir erroneamente que: "E toda língua confesse que Jesus Cristo é o Jesus...". Isto não é o que este versículo está dizendo, mas o que está ensinando é que: “E toda língua confesse que Jesus Cristo é Deus”. Porém, não Deus, o Pai, porque no mesmo versículo diz que isso será feito "para a glória de Deus Pai". Ou seja, Deus Pai será glorificado no Filho.
Outro texto usado é Romanos 8:9 que diz: "Entretanto, vocês não estão sob o domínio da carne, mas do Espírito, se de fato o Espírito de Deus habita em vocês. E, se alguém não tem o Espírito de Cristo, não pertence a Cristo". Este versículo NÃO mostra que Jesus é o Espírito Santo. Somente o Espírito coloca os homens em viva relação com Cristo, e sendo assim, não pode haver um relacionamento com Cristo independentemente do Espírito. O versículo 11 faz distinção bem clara entre o Pai que levantou a Jesus dos mortos, o Espírito pelo qual Jesus foi levantado e Jesus, quem foi levantado. Não se pode ignorar a distinção de pessoas apresentada neste versículo.
QUE DIZ A BÍBLIA SOBRE JESUS E O ESPÍRITO SANTO?
Mateus 12:31-32 nos fala da blasfêmia contra o Espírito Santo. A conclusão lógica que é extraída deste texto é que se a blasfêmia contra o Espírito Santo não vai ser perdoada, mas a blasfêmia contra o Filho vai ser perdoada, então o Filho NÃO é o Espírito Santo. Em João 14:16 o Espírito Santo é o "outro Consolador". Em João 15:26 Jesus enviou o Espírito Santo. E em João 16:13 o Espírito Santo demonstra humildade e busca glorificar a Jesus.
Depois de termos visto que Jesus não é o Pai nem tampouco o Espírito Santo, podemos nos dar conta de que os Unicistas têm um conceito equivocado da verdadeira natureza de Deus. Se Jesus não é o Pai, mas é Deus, e o Pai não é Jesus e é Deus, e o Espírito Santo não é Jesus e é Deus e a Bíblia diz que somente há um Deus, então isto significa que dentro da unidade do único Deus existem três pessoas distintas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo; e estas três compartilham a mesma natureza e atributos; então, com efeito, estas três são o único Deus.
Uma coisa é dizer "Eu não entendo a doutrina da Trindade" e outra coisa é dizer que "a doutrina da Trindade é falsa", "pagã", "diabólica", "antibíblica". A Bíblia faz uma advertência muito forte para esta classe de pessoas quando nos diz: "...Este é o anticristo: aquele que nega o Pai e o Filho. Todo o que nega o Filho também não tem o Pai; quem confessa publicamente o Filho tem também o Pai" (1 João 2:22b-23).
Gostaríamos aqui de alertar sobre um grupo perigoso que defende esta idéia unicista, e que tem invadido lares e igrejas evangélicas sob o pretexto de serem irmãos: o Grupo Voz da Verdade. Abaixo damos uma pequena amostra deste engano.
FUNDADOR: Fundada em 05/01/1984, na cidade de Santo André, São Paulo, por Carlos A. Moysés.
ESCRITURAS: A Bíblia Sagrada.
DEUS: Negam a Trindade. Uma só pessoa na divindade que é Jesus. Jesus é o Pai (natureza divina), o Filho (natureza humana) e é o Espírito Santo. Três manifestações de uma só pessoa. Argumentam que acreditar na Trindade é compactuar com a Igreja Católica. Quando a Bíblia se refere a Deus, está falando sobre o Espírito Santo, que é o Pai, Criador e Senhor de todas as coisas. Manifestou-se, também, através de outras formas ou modos: como fogo, nuvem, vento, água, pomba, pão etc.
JESUS: Jesus tanto é o Pai, como é o Filho. Manifestou-se como Filho pelo fato de assumido a forma humana e nascer como homem.
ESPÍRITO SANTO: Jesus manifestou-se como o Espírito e continua a se manifestar assim, porque a sua missão neste mundo é resgatar o nosso espírito do nosso corpo mortal.
SALVAÇÃO: O batismo é essencial para a salvação, pois oferece perdão e remissão de pecados.
MORTE: Haverá ressurreição.
OUTRAS CARACTERÍSTICAS: Jesus não existia antes da encarnação, Batismo só em nome de Jesus. Efetuam batismo no Nome de Jesus quando algum irmão de outra denominação passa a congregar com eles.
7.3. TESTEMUNHAS DE YEHOSHUA
HISTÓRIA E DOUTRINA: Um novo movimento está surgindo entre o povo, denominado Igrejas de Deus das Testemunhas de Iehoshua, conhecido também por Testemunhas de Iehoshua. O movimento foi fundado em 1987, em Curitiba, PR, por Ivo Santos de Camargo. O fundador não possui formação teológica formal. Diz que estudou hebraico durante dois anos, após a suposta revelação.Atualmente dirige a Igreja, segundo ele, com cerca de 100 membros. Afirma que seu movimento está do Rio Grande do Sul ao Rio Grande do Norte.
O fundador afirma nunca pertencer a uma igreja evangélica, mas diz haver visitado algumas delas. Diz que recebeu uma revelação de Deus sobre a pronúncia exata do tetragrama (nome divino, as quatro consoantes YHWH) e que esse nome é o mesmo do Salvador. Segundo o fundador, o nome "Jesus" é uma abominação, é o paganismo do catolicismo romano. O nome que veio do céu, diz, é Iehoshua. Afirma ainda "ser filho direto da revelação", portanto sua ordenação é direta com Deus. É contra todas as igrejas evangélicas, admite que a salvação depende do conhecimento e da revelação do nome Iehoshua, e mesmo assim, dentro de sua organização religiosa.
Os adeptos do referido movimento, sob a orientação de seu fundador, negam a doutrina da Trindade, embora defenda a deidade absoluta de Jesus. É o sabelianismo modal, como a Igreja Local de Witness Lee e a Igreja Voz da Verdade, do conjunto musical de mesmo nome. São sabatistas, defendem a guarda do sábado, como os adventistas do sétimo dia. Defendem duas categorias de salvos, mais ou menos como as Testemunhas de Jeová: Os cristãos salvos vão para céu, exceto os judeus, assírios e egípcios, estes herdarão a terra. São exclusivistas como as demais seitas pseudo-cristãs.
Os adeptos da nova seita costumam visitar os templos evangélicos em grupos, para tumultuar o ambiente. Um membro do grupo pergunta ao pregador sobre Iehoshua e Jesus. É óbvio que dificilmente vai encontrar alguém que saiba hebraico, nem elas mesmas o sabem. Quando o pregador se embaraça os demais membros do grupo começam a gritar criando uma verdadeira balbúrdia no culto. São proselitistas. Estão preocupados em arrebanhar os cristãos evangélicos, pois são pescadores de aquários.
É uma seita inexpressiva e seus argumentos só podem convencer as pessoas mais simples e os incautos. Suas crenças são inconsistentes e de uma pobreza tremenda. É bom lembrar que C. T. Russell, fundador das Testemunhas de Jeová, começou com suas idéias subjetivas, posteriormente transformando suas ficções em "verdades”. Sua religião conta hoje com quase seis milhões de adeptos em todo o mundo. A Igreja do final do século passado e do início do século vinte subestimou o tal grupo. Com o trabalho ferrenho de casa em casa, aos poucos eles vão crescendo. Se as igrejas da atualidade subestimarem a seita Testemunhas de Iehoshua, poderemos ter o mesmo problema no futuro. O povo precisa saber que a crença delas é um combate contra o Cristianismo bíblico.
JESUS OU IEHOSHUA?
ORIGEM DO NOME: O nome Jesus vem do hebraico (Yehoshua’ - ) ou seja, "Josué", que significa "Iavé é salvação". Josué era chamado de Oshea’ ben Num () "Oséias filho de Num" (Nm 13.8; Dt 32.44). "Oshea" significa "salvação". Moisés mudou seu nome para Yehoshua’ ben Num "Josué filho de Num" (Nm 13.16).
A Septuaginta usou o nome Iesus para Yehoshua’, portanto Iesus é a forma grega do nome Yehoshua, exceto I Cr 7.27, que transliterou por Iousue, ou "Josué". Depois do cativeiro de Babilônia, o nome Yehoshua era conhecido por (Yeshua). Em Neemias 8.17 Josué é chamado Yeshua ben Num. Yeshua é o nome hebraico para Jesus até hoje em Israel. Isso pode ser comprovado em qualquer exemplar do Novo Testamento hebraico.
O sumo sacerdote Josué, filho de Joazadaque, é chamado em hebraico simultaneamente de Yeshua (Ed 3.2, 8; 4.3; 5.2; Ne 7.7) e Yehoshua (Ag 1.1, 12, 14; 2.2, 4; Zc 3.1, 3, 6, 8, 9; 6.11). Embora nossas versões usem Jesua (Almeida Corrigida, Atualizada e Contemporânea) Jesuá (Revisada) Jeshua (Brasileira), contudo a Septuaginta não faz essa distinção. Usa Iesus para ambos. Iesus é o nome do Messias, o nosso Salvador, registrado no Novo Testamento, que chegou para nossa língua como Jesus.
O NOME YEHOSHUA: O que as Testemunhas de Jeová fazem com o nome "Jeová", assim o fazem as Testemunhas de Yehoshua com relação ao Deus-Pai e ao Deus-Filho. O fundador disse que recebeu uma revelação de que a pronúncia correta do tetragrama não é Jeová, Javé, Iahweh e nem Yehovah, mas Iehoshua. Agora procuram justificar esta "descoberta" em Êxodo 23.20, 21, que diz: "Eis que eu envio um anjo à frente de vocês para protegê-los por todo o caminho e fazê-los chegar ao lugar que preparei. Prestem atenção e ouçam o que ele diz. Não se rebelem contra ele, pois não perdoará as suas transgressões, pois nele está o meu nome". Afirma que esse Anjo é Josué, com base na expressão: "nele está o meu nome". Como o nome "Josué" em hebraico é Yehoshua assim explica sua teoria.
Negando a doutrina bíblica da Trindade afirma que Iehoshua é o nome do Deus de Israel, revelado no Antigo Testamento, e que esse nome é o mesmo do Messias, que deve ser invocado por "Iehoshua" e não por "Jesus". Eles afirmam que Jesus é o nome que os papas introduziram nas Sagradas Letras, blasfemando do nome que veio do céu. Asseveram ainda que no fim do III século da era cristã, quando o bispo Jerônimo traduziu as Escrituras para o latim, a língua oficial do império romano, o nome original IERROCHUA foi substituído pelo nome grego-romano (IESOUS).
É pena que essas pessoas estejam tão mal-informadas. Há textos do Novo Testamento anterior a data apresentada pela seita, que mostram que esta informação não é verdadeira. Por exemplo: Os papiros 45, 46 e 47, conhecidos como Chester Beatty, que se encontram atualmente no museu Beatty, em Dublin, Irlanda, são do início do terceiro século, e trazem a forma abreviada de Iesus — IS ou IC. Da mesma forma os Papiri Bodmeriani, 66, 75 e 76, que se encontra na Biblioteca Bodmer na Suíça. O papiro 75 contém os evangelhos de Lucas e João, é datado entre 175 e 225 AD. Esse argumento de que o nome Iesus é coisa de Jerônimo, no fim do século III não procede.
Ensinam que o Pai é Filho e o Filho é Pai, mostrando que estão muito próximos da doutrina sabelianista. Jesus disse: "Na Lei de vocês está escrito que o testemunho de dois homens é válido. Eu testemunho acerca de mim mesmo; a minha outra testemunha é o Pai, que me enviou." (Jo 8.17,18). Essa passagem bíblica, por si só, destrói completamente o sabelianismo e qualquer doutrina unicista. Além disso, encontramos várias vezes, nos evangelhos, Jesus se dirigindo ao Pai como outra pessoa. Eles também negam, como as Testemunhas de Jeová, a personalidade do Espírito Santo.
O primeiro problema dessa interpretação, para não dizer invenção, é que a pronúncia Yehoshua’, não comporta no tetragrama. O fundador desta seita afirma que a vocalização foi feita pelo ANJO, não por homens. Isso que a seita fez não é vocalização, pois as letras hebraicas (ayin) e (shin), que aparecem no nome Yehoshua’ são consoante
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