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08 - Filadélfia |
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Ap. 3:7-13
Vejamos a penúltima igreja da Ásia a ser estudada, Filadélfia.
· O nome “Filadélfia” significa “amor fraternal”. Esta cidade ficava a 120 km de Sardes. Nos tempos do N.T. era a segunda mais importante cidade da Lídia.
· Originalmente foi fundada por Eumenes, rei de Pérgamo no século II a.C., tendo recebido o nome de seu irmão, Átalo, cuja lealdade lhe ganhara o título de “Filadelfo”.
· Grande parte de sua prosperidade se devia a sua localização, que ficava próximo de um trecho fértil. No ano 17 d.C. a cidade foi destruída por um terremoto. Mas uma doação imperial ajudou em sua restauração. Então adquiriu o nome de Neokaisareia e, posteriormente, sob o imperador Vespasiano, recebeu o nome imperial de Flávia.
· Conforme se dava com a maioria das cidades daquela área, Filadélfia estava imersa na idolatria e, mais tarde, mergulhou no chamado “culto ao imperador”. Era famosa pela grandiosidade e pelo número de seus templos e de suas festividades religiosas. O culto principal era o de Dionísio.
· Como se sabe, a área onde estavam localizadas as igrejas do Apocalipse, não é mais uma área cristã. Porém, de todas as igrejas, a de Filadélfia foi onde o cristianismo sobreviveu por mais tempo.
· Sobre a igreja que ali existiu não sabemos muito. Mas pelo que lemos no texto, era uma igreja pequena, porém fiel a Cristo, a ponto de não receber advertências e sim elogios.
Podemos dizer que, juntamente com Esmirna, Filadélfia é um ótimo exemplo para a igreja de hoje. Cristo se apresenta a ela como aquele “que é santo e verdadeiro”, portador da “chave de Davi”. Em cada apresentação, Cristo se identifica com a igreja. Ele é Santo porque é Deus de Deus, o Verbo eterno, o Messias que várias vezes foi identificado assim (Mc. 1:24; Lc. 4:34; Jo. 6:69; I Jo. 2:20). Ele é Santo porque é a origem de nossa santidade (Gl. 5:22,23; o fruto do Espírito infunde no crente as mesmas qualidades morais de Cristo). É Santo porque é totalmente dedicado a Deus, não tendo pecado algum.
Ele é verdadeiro porque sua mensagem é verídica, sendo Ele mesmo a verdade personificada (Jo. 14:6). “No contexto grego a palavra significa o que é real, que corresponde à realidade. Mas no contexto hebraico ela significa o que é fiel e confiável.”[1]. Deus vai aparecer no A.T, como Aquele que é fiel, ou seja, o que mantém firme as suas promessas (Sl. 146:6; Êx. 34:6; Is. 65:16). No caso aqui Jesus se identifica novamente com o Pai.
Ele tem as chaves de Davi, simbolizando aqui que Cristo tem o Poder e a Autoridade real. A menção que se faz aqui alude ao texto de Is. 22:22, onde Eliaquim era o mordomo principal da casa real.
Filadélfia vivia em santidade porque Cristo era seu referencial, a fonte de sua fidelidade, e também era uma igreja missionária porque Cristo era o seu poder e autoridade pois “ele abre e ninguém pode fechar, e o que ele fecha ninguém pode abrir.”(v.7).
Hoje Cristo nos chama a seguir este exemplo. É seu desejo ver a igreja fiel, santa e missionária. Então, até que ponto a igreja é exemplo para o mundo? Será que Cristo elogiaria a igreja ou condenaria? Vejamos o exemplo de Filadélfia e tiremos lições para a nossa vida e nossa igreja:
I – Uma igreja consciente de sua missão (v.8)
O que vai diferenciar uma grande igreja não é simplesmente o número de membros, e sim a consciência de sua missão. Filadélfia não era uma igreja grande, mas era uma grande igreja, a ponto de Cristo só tecer elogios.
Mas como tornar a nossa comunidade em uma grande igreja? Com certeza com a conscientização, e isto não é em massa e sim em nível individual. Como diz o cântico: “A começar em mim quebra corações...”. Tem que começar em mim. Não adianta o pastor pregar, chamar a atenção dos irmãos, exortar, se ninguém quer trabalhar. É muito fácil lançar sobre os outros os deveres e responsabilidades; difícil é fazer. É muito fácil dizer ao pastor o que ele deve fazer, e ficar de braços cruzados esperando que o pastor tire de “seu paletó mágico” a solução imediata.
Nós temos que aprender que Igreja não é um só. São todos juntos em um só, que é Cristo. E pelo que lemos, Filadélfia é um exemplo porque é uma igreja consciente. Todos trabalham, logo todos são elogiados. Podemos ver algumas características desta conscientização:
- “...Eis que coloquei diante de você uma porta aberta que ninguém pode fechar.”. Que porta seria esta? Podemos ler em Atos 14:27 o seguinte: “Chegando ali, reuniram a igreja e relataram tudo o que Deus tinha feito por meio deles e como abrira a porta da fé aos gentios.”. Em I Co. 16:9 lemos: “porque se abriu para mim uma porta ampla e promissora; e há muitos adversários.”. Em II Co. 2:12 Paulo escreveu: “Quando cheguei a Trôade para pregar o evangelho de Cristo e vi que o Senhor ma havia aberto uma porta,...”. E finalmente em Cl. 4:3 o apóstolo escreveu: “Ao mesmo tempo, orem também por nós, para que Deus abra uma porta para a nossa mensagem, a fim de que possamos proclamar o mistério de Cristo, pelo qual estou preso.”. A porta aberta que Cristo disse era a oportunidade do serviço missionário. Cristo abriu a porta e esta ninguém fechará, para que se pregue o evangelho a tempo e fora de tempo (II Tm. 4:2). Aqui está a primeira característica da conscientização: Missões. Alcançar todas as pessoas, isto mora no coração de Deus e este deve ser o pulsar da igreja. A igreja que não ama missões, que não contribui e que não ora por aqueles que se dispuseram a servir a Deus em outra cultura, não pode crescer. A igreja que não faz missões está doente.
O clamor de Cristo é o mesmo: “A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Portanto, peçam ao Senhor da colheita que mande trabalhadores para a sua colheita.” (Lc. 10:2). O campo é grande. Se cada crente em Cristo se dispuser o evangelho será pregado em muitos lugares. Se cada um discipular outro, o trabalho será mais bem distribuído. Filadélfia tinha esta consciência, e Deus honrou esta igreja.
Não podemos nos esquecer que pregar o evangelho e compartilhar do amor de Jesus é um privilégio. Precisamos acordar pois o tempo está acabando, nossa responsabilidade aumentando e a porta pode fechar a qualquer momento porque Ele abriu e Ele pode fechar. A nossa vida é breve, e de que forma nos apresentaremos diante do Senhor?
- “Sei que você tem pouca força, mas guardou a minha palavra e não negou o meu nome.”. A segunda característica desta conscientização é a perseverança. Mesmo tendo pouca força, ou seja, nas dimensões, na influência social e política, no dinheiro, está era uma comunidade que conseguia vencer os obstáculos mediante o seu esforço. Mesmo tendo pouca força esta igreja se escondia no poder de Deus, e por esta razão eram fortes. Paulo em II Co. 12:10 declara: “Por isso, por amor de Cristo, regozijo-me nas fraquezas, nos insultos, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias. Pois, quando sou fraco é que sou forte.”. Quantas vezes nós dizemos que não podemos fazer isto ou aquilo porque não temos dinheiro? Quantas vezes o nosso falar é tão negativista, para baixo, para trás, movido por um sentimento diabólico? Devemos pensar para frente, positivamente. Isto não é esoterismo. É fé e confiança nas promessas de Deus. “Posso todas coisas naquele que me fortalece.” (Fp. 4:13).
Com esta pequena força eles eram capazes de guardarem a palavra do Senhor, ou seja, observavam atentamente os mandamentos de Cristo. Quando o cristão age desta forma ele vive uma vida de santidade o capacitando a pregar o evangelho. Eles também não negaram o nome de Cristo, isto significa que em meio à luta e a perseguição a igreja não negou o nome bendito de Cristo. Na perseguição aos cristãos, por causa da adoração ao imperador, muitos negavam a Cristo. Filadélfia permanecia constante, mesmo com pouca força. A perseverança e a luta eram notável. E a grande questão para nós é: Por que não somos assim? Por que para nós tudo é mais difícil? Só há uma resposta: Falta a igreja a consciência de ser igreja. Falta olharmos para a igreja não como o prédio, ou simplesmente uma denominação, e sim como a união uns dos outros.
Certa igreja local da Alemanha, a princípio, tinha 60 membros. Seu zelo missionário fê-la aumentar tanto que chegou a ter 10.000 membros, homens e mulheres no serviço de Cristo, além de terem enviados mais de 300 missionários a países estrangeiros. Será que Deus não pode fazer o mesmo conosco?
II – Era uma igreja que sabia e conhecia o amor de Cristo por ela (v.9,10)
Quando olho para a Palavra de Deus vejo o quanto o Senhor me ama e está disposto a me guardar (Jr. 31:3; Is. 41:8-10; 43:1-5; etc.) A igreja de Filadélfia podia trabalhar tranqüila pois o Senhor estava protegendo e guardando em seu amor. No texto podemos ver duas coisa interessantes:
- “...Farei que se prostrem aos seus pés e reconheçam que eu o amei.” (v.9b). Os judeus muitas vezes se uniram aos pagãos para destruírem a igreja. Eles se achavam detentores dos mistérios de Deus, a comunidade do Senhor, os escolhidos. Só que mais uma vez eles são chamados de “sinagoga de Satanás” (cf. 2:9). O verdadeiro Israel não é formado por raça ou religião. O verdadeiro Israel confessa Jesus como o Messias de Deus (Yeshu‘a hamashia). E para provar que este verdadeiro Israel de Deus é real, Cristo promete colocar os judeus – e todos os que perseguem – aos pés da igreja.
O termo grego proskunew (proskyneô) pode ser traduzido como “adorar, prostrar-se em reverência”; mas este é um termo forte. Também pode ser traduzido por “homenagear”, ficando a idéia de reconhecer o próprio erro. A melhor tradução, porém, é a de “prostra-se, inclinar-se”. O significado aqui é profundamente escatológico. Quando Cristo vier, o bem triunfará de uma vez por todas sobre o mal. E Filadélfia tinha certeza disto. A igreja sabia que Cristo a amava e que seus inimigos viriam isto.
Amados, Cristo ama a nossa igreja. Ele quer vê-la da melhor maneira possível. E esta é uma razão bastante suficiente para não temermos os inimigos que se levantam, pelo contrário, devemos nos sentir encorajados para agir e retribuir o amor com que o Mestre nos tem dado.
- “Visto que você guardou a minha palavra de exortação à perseverança, eu também o guardarei da hora da provação que está para vir sobre todo o mundo, para pôr à prova os que habitam na terra.” (v.10). Além do grande amor com que Cristo nos trata, podemos ter a certeza de que ele nos guardará. Aqui temos um versículo profundamente escatológico. Que provação seria esta? O que vem a significar a expressão: “também o guardarei”? Nos guardará de que? O exame de alguns textos poderá nos ajudar (Dn. 12:1,2; Mt. 24:21; Mc. 13:14; II Ts. 2:1-12).
Haverá uma grande tribulação, movida pela perseguição do Anticristo. Porém, Cristo promete guardar a igreja, e isto se dará com o arrebatamento. Alguns crêem que os cristãos – aqueles que tem comunhão com Cristo, e não os nominais – não passarão pela tribulação. Outros crêem que os cristãos passarão por um breve momento da grande tribulação, sendo assim despertados para uma vida mais séria com Deus, acontecendo então o arrebatamento. Uma coisa é certa. Os cristãos nominais não serão arrebatados.
Mas o que nos chama a atenção é que Filadélfia é uma igreja que sabe o quanto Deus a ama e que Ele não a deixará na mão. Esta certeza vinha do compromisso da igreja com o Senhor.
III – Era uma igreja que refletia seu progresso espiritual (v.11)
Cristo encoraja a Filadélfia a se conservar, a permanecer no caminho. Aqui não trás a idéia de estagnação, mas o encorajamento e advertência de que esta igreja não pode parar de crescer e de vigiar.
Por esta razão Cristo disse: “Venho em breve!...”. E o que significa isto? Quando é que Cristo virá? Os cristãos primitivos esperavam a vinda do Senhor em seus dias. Eles não tinham uma visão de uma “Era Eclesiástica”. Os cristãos em todos os tempos viveram na expectativa da vinda de Cristo. Isto não significa dizer que esta expectativa não pode se cumprir em nossos dias. A idéia é de estarmos preparados como aqueles estavam no primeiro século. Este versículo não deixa de ser uma advertência escatológica. Cristo voltará e todo olho o verá (Ap. 1:7; Mt. 26:64; Lc. 21:27; At. 1:11). A exortação aqui é quanto à vigilância. Cristo pode vir a qualquer momento. Nós devemos estar preparados para nos encontrarmos com Ele, quer seja por sua vinda ou pela morte.
Sendo assim Cristo nos diz: “Retenha o que você tem, para que ninguém tome a sua coroa.”. Mais uma vez o profundo simbolismo de Apocalipse nos revela verdades espirituais. O objetivo de Cristo era que Filadélfia continuasse no avanço espiritual, participando da plenitude de Deus. Aqui não existe nenhuma visão de uma coroa literal. O estilo de vida coerente com Deus, em santidade e em justiça, devia ser preservado. Filadélfia sabia disto e lutava para guardar e desenvolver uma espiritualidade que agradava a Deus.
Por muitas vezes nos esquecemos de crescer no conhecimento de Deus por meio de Sua Palavra. Muitas vezes nos esquecemos até de que somos crentes. Cristo quer de nós uma vida espiritual dinâmica, onde possamos conservar um estilo de vida que o agrade. Se quisermos ser os vencedores do Cordeiro devemos guardar muito bem a nossa coroa. Paulo escreveu para Timóteo assim: “Agora me está reservada a coroa da justiça, que o Senhor, o justo Juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amam a sua vinda.” (II Tm. 4:8).
E os vencedores? Este grupo é comum a todas as igrejas. Filadélfia era uma igreja de vencedores. Podemos ver estas promessas que foram dadas àquela igreja e que são para nós também hoje:
· “Farei do vencedor uma coluna no santuário do meu Deus...” (v.12a). Não devemos nos esquecer que, por mais que para nós alguns textos sejam muito estranhos, para os irmãos que receberam estas cartas era altamente compreensível. Aqui, há alusão ao fato que, na área onde estava localizada a cidade de Filadélfia, muitos terremotos ocorriam com freqüência e os resultados eram devastadores. Muitas construções, incluindo templos, eram abalados, rachavam-se e algumas vezes tombavam. Estrabão, um historiador antigo[2], escreveu que “Filadélfia não deixou de sofrer em suas muralhas, mas diariamente são abaladas de algum modo, e há brechas nas mesmas.”. A promessa aqui reflete a segurança. Enquanto os templos pagãos eram abalados e muitas vezes destruídos, os vencedores perseverantes iam se tornar colunas no templo do Deus vivo, a comunidade formada de pedras vivas que compõe o templo de Deus. A idéia também pode ser de um lugar prometido junto ao Reino de Deus. Isto pode ser atestado na continuação do versículo, quando Cristo diz: “...e dali jamais sairá.”. É a segurança eterna de estar para sempre com Ele.
· “...Escreverei nele o nome do meu Deus e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce dos céus da parte de Deus e também escreverei nele o meu novo nome.” (v.12b). As colunas dos templos antigos traziam gravações com os nomes das divindades ali adoradas, juntamente com os nomes dos sacerdotes, heróis e outros personagens importantes daquele culto. Podemos ver vários significados desta promessa: a) Identificação: Os vencedores serão identificados como pertencentes ao Deus Altíssimo; b) Possessão e relacionamento: Pertencem a Deus e fazem parte do templo vivo. Aqueles que trazem o seu nome escrito sobre suas testas pertencem a Ele. Apocalipse 7:3 nos diz: “Não danifiquem, nem a terra, nem o mar, nem as árvores, até que selemos as testas dos servos do nosso Deus.”; c) Cidadania na Nova Jerusalém: É a cidadania celestial. Paulo escrevendo aos Filipenses disse que a nossa pátria está no céu (Fp. 3:20); d)Comunhão e transformação: Quando Cristo vier Ele terá um novo nome que ninguém sabe, a não ser Ele mesmo (19:12). Isto significa que os redimidos participarão de Sua glória quando Ele se revelar.
Que lições você e eu podemos tirar deste texto para a nossa vida? Pelo menos três importantíssimas lições:
· Devemos criar uma conscientização maior sobre quem somos, o que somos e a nossa missão aqui como crentes em Jesus e como igreja;
· Devemos ser mais ousados no trabalho, sabendo que o nosso Deus nos ama e protege. Ele livra o Seu povo;
· A vigilância jamais deve ser esquecida. Cristo está às portas, e por isso o progresso espiritual deve ser mantido, pois este é o desejo de Cristo para com a igreja.
Que o nosso Deus nos abençoe e nos faça ser como Filadélfia, uma igreja firme no Senhor. Maranata! |
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