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| Parte
26 - As sete taças da ira de Deus |
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Ap. 16:1-21
Depois do interlúdio, João recebe a revelação sobre os últimos julgamentos de Deus sobre a terra. O capítulo 15 foi uma introdução para o que vamos estudar agora. Desta vez as sete taças são vistas sem interrupção, diferente dos selos e das trombetas, em que seis eram vistas em seqüência e após um breve interlúdio vinha o sétimo. Aqui temos algumas cenas do que ocorrerá no fim dos tempos quando Satanás tentará o último esforço de vencer Deus. É claro que ele perderá.
Nos versos 1 e 2 temos a primeira taça: “Então ouvi uma forte voz que vinha do santuário e dizia aos sete anjos: Vão derramar sobre a terra as sete taças da ira de Deus. O primeiro anjo foi e derramou a sua taça pela terra, e abriram-se feridas malignas e dolorosas naqueles que tinham a marca da besta e adoravam a sua imagem.”. João ouviu uma voz forte vinda do santuário, ou seja, indica que o julgamento divino virá do céu e que o próprio Deus é quem está intervindo na história. É dada uma ordem e ela terá de ser cumprida. Os anjos se encarregarão de fazê-lo.
O primeiro anjo derrama a sua taça e produz feridas sobre os adoradores da besta. Aqui há uma lembrança dos tumores no Egito (Êx. 9:10,11). As pessoas são atingidas, mas somente aquelas que tem a marca da besta. Neste ponto também começa o cumprimento da promessa de Ap. 14:9,10, onde os adoradores da besta terão de beber do cálice da ira de Deus. No grego o vocábulo elkoV (elkos) é o mesmo usado em Êx. 9:9-12 na Septuaginta (LXX), para indicar “ferida”, “chaga”. O termo refere-se em geral as chagas de lepra, úlceras ou qualquer tumor na pele. O texto ainda fala destas feridas como malignas (gr. kakoV; kakos) e dolorosas (gr. poneroV; poneros, a idéia de maldoso, iníquo).
No verso 3 vemos a segunda taça: “O segundo anjo foi e derramou a sua taça no mar, e este se transformou em sangue como de um mar morto, e morreu toda criatura que vivia no mar.”. Aqui novamente há uma lembrança da primeira praga sobre o Egito (Êx. 7:17-21). Esta descrição também nos lembra a segunda trombeta (Ap. 8:8-9). Aqui nenhuma criatura do mar escapará. O sangue será uma marca visível da morte. Sabemos que os oceanos têm uma biodiversidade fantástica. O juízo de Deus derramado sobre a humanidade nesta perspectiva afetará a qualidade de vida humana. Muitas nações e povos vivem em função dos mares. Além da economia, a saúde também será afetada, pois os mares se tornarão em um grande cemitério.
Dos versos de 4 a 7 João nos fala da terceira taça: “O terceiro anjo derramou a sua taça nos rios e nas fontes, e eles se transformaram em sangue. Então ouvi o anjo que tem autoridade sobre as águas dizer: ‘Tu és justo, tu, o Santo, que és e que eras, porque julgaste estas coisas; pois eles derramaram o sangue dos teus santos e dos teus profetas, e tu lhes deste sangue para beber, como eles merecem.’ E ouvi o altar responder: ‘Sim, Senhor Deus todo-poderoso, verdadeiros e justos são os teus juízos.’”. A terceira taça afetará os rios e as fontes das águas. Novamente notamos que não há limites para o juízo de Deus. A terceira trombeta também se refere a isto (Ap. 8:10,11), e muitos morrem. Aqui não há nenhuma descrição sobre isto, mas parece ser o óbvio.
Nos versos 5 e 6 um anjo que tem autoridade sobre as águas[1] exalta a santidade de Deus e Seu julgamento sobre os homens. Este anjo também descreve o por que da ira divina. A causa foi o sangue dos mártires derramado, dos profetas e de todos os servos de Deus que morreram em nome de Jesus. O castigo é uma espécie de punição divina de acordo com aquilo que foi feito (Gl. 6:7). O castigo é merecido pelo que foi feito aos servos do Senhor.
E no verso 7 aparece algo muito interessante: o altar responde ao que o anjo tinha declarado. Este é o único lugar no livro de Apocalipse em que aparece o altar falando. Em outra passagem uma voz veio dos chifres do altar de incenso (9:13), e em outro texto vozes vinha debaixo do altar (6:9). Literalmente o texto diz: “E ouvi o altar clamar...”. O altar guarda as orações dos santos, e agora estas orações estão sendo respondidas. Os servos de Deus perseguidos serão recompensados. No fim todos hão de ver que o julgamento de Deus expressa a verdadeira justiça.
Nos verso 8 e 9 lemos a quarta taça: “O quarto anjo derramou a sua taça no sol, e foi dado poder ao sol para queimar os homens com fogo. Estes foram queimados pelo forte calor e amaldiçoaram o nome de Deus, que tem domínio sobre estas pragas; contudo, recusaram arrepender-se e glorificá-lo.”. A quarta taça nos lembra a quarta trombeta (Ap. 8:2). Só que na trombeta uma terça parte do sol, da lua e das estrelas ficam escurecidas. Aqui no entanto o poder do sol é tremendamente aumentado produzindo morte e destruição. Pense que hoje já vivemos um momento crítico com a redução da camada de ozônio que protege a terra dos raios solares. Mas o ponto central a observarmos aqui não é tanto ao juízo de Deus, e sim que o texto nos diz que as pessoas não se arrependerão, pelo contrário, amaldiçoarão o nome do Senhor. A visão com certeza é terrível. Os homens estarão em um grau de corrupção e pecado tão grande que não glorificarão ao Senhor.
Os versos 10 e 11 nos falam da quinta taça: “O quinto anjo derramou a sua taça sobre o trono da besta, cujo reino ficou em trevas. De tanta agonia, os homens mordiam a sua própria língua, e blasfemavam contra o Deus dos céus, por causa das suas dores e das suas feridas; contudo, recusaram arrepender-se das obras que haviam praticado.”. O julgamento de Deus atingirá também o trono da besta, ou seja, o seu poder. Sabemos que após o surgimento do Anticristo se levantará no mundo uma sociedade totalmente demoníaca. A isto Deus derramará Sua ira. É interessante notar que esta taça nos lembra a praga das trevas no Egito (Êx. 10:21-23). Este fenômeno produzirá dor tremenda nos homens. A angústia dos homens será produzida por estas trevas. Não sabemos ao certo que trevas serão estas, porém cremos que toda a aparente glória do Anticristo se tornará em um momento de caos e desespero. Mas o ponto central ainda é a dureza do coração humano. Sem arrependimento pelos pecados, os homens blasfemarão o nome de Deus. Se não conseguimos entender isto, basta pensarmos em alguém que já ouviu falar do amor de Deus e se recusou a entregar a sua vida a Cristo. Muitas destas pessoas morrem em grande agonia, e no entanto nunca se reconhecem pecadoras e carentes da graça divina. Morrem sem arrependimento e algumas chegam a blasfemar de Deus. Com certeza o pecado endurece o coração do homem.
Nos versos 12 a 16 temos a visão da sexta taça: “O sexto anjo derramou a sua taça sobre o grande rio Eufrates, e secaram-se as águas para que fosse preparado o caminho para os reis que vêm do Oriente. Então vi saírem da boca do dragão, da boca da besta e da boca do falso profeta três espíritos imundos semelhantes a rãs. São espíritos de demônios que realizam sinais miraculosos; eles vão aos reis de todo o mundo, a fim de reuni-los para a batalha do grande dia do Deus todo-poderoso. Eis que venho como ladrão! Feliz aquele que permanece vigilante e conserva consigo suas vestes, para que não ande nu e não seja vista a sua vergonha. Então os três espíritos os reuniram no lugar que, em hebraico, é chamado Armagedom.”. Esta taça é diferente das outras justamente porque não há uma praga sobre a humanidade e sim é uma preparação para a batalha final. Ela é semelhante a sexta trombeta quando fala de uma invasão além do Eufrates em que uma terça parte dos homens morrem (Ap. 9:13-19). No A.T. o Eufrates representa o limite da terra prometida. A visão indica que o rio seco representa simbolicamente a remoção da barreira e que neste caso Israel sofrerá uma invasão dos exércitos do Anticristo.
No verso 13 João nos diz que da tríade diabólica – o dragão (Satanás), a besta (Anticristo) e o falso profeta (o promotor religioso) – saíram três espíritos imundos. A rã era um animal imundo para o judaísmo e simboliza que a inspiração desta tríade é imunda. Estes espíritos imundos não afligirão as pessoas, mas as levarão a lutarem ao lado do dragão, da besta e do falso profeta. João nos mostra que isto não será apenas uma guerra militar ou política, mas essencialmente espiritual.
O verso 14 descreve a natureza destas rãs, em que João as descreve como espíritos de demônios. O N.T. descreve a realidade do mundo espiritual. Apesar do nosso tempo querer racionalizar os fatos espirituais descrevendo estas atitudes espirituais com atitudes psicológicas revela a ignorância da Palavra de Deus. Sabemos que muitos casos podem ser explicados pela psicologia, mas há casos que nem mesmo Freud seria capaz de explicar. Estes seres espirituais por meio de sinais vão levar os reis e governantes das nações a uma luta aberta contra Deus.
O verso 15 parece ser uma advertência a igreja dos últimos tempos. A vinda de Cristo será repentina, como um ladrão na noite. Vários textos do N.T. nos advertem quanto a isto (Mt. 24:43; Lc. 12:39; I Ts. 4:15; 5:2,4; II Pe. 3:10; Ap. 19:11). Nós como cristãos devemos estar atentos aos sinais da vinda de Cristo. Ninguém poderá dizer que nunca pode se preparar por nunca ouviu. Além de estar escrito muito se tem falado sobre a segunda vinda de Jesus. E neste texto aparece a terceira bem-aventurança no Apocalipse[2], e aqui se refere àqueles que permanecerem vigilantes, ou seja, aqueles que não perderam a perspectiva do Reino de Deus. Mas estes também são bem-aventurados guardaram as suas vestes. As vestes simbolizam o novo homem (cf. Ef. 4:24), e no caso aqui fala dos que procuraram viver em santidade diante de Deus e dos homens, que não se corromperam com este mundo. No caso da grande tribulação se refere aos que não adorarão a besta e não se contaminarão com os pecados deste mundo. Estes que se santificam vestem vestes espirituais e não andam nus. A nudez é retratada aqui como falta de pureza e indecência, mas também pode indicar a alma que nua não participa da natureza de Cristo, ou seja, a imortalidade. Uma observação desta é vista para a igreja de Laodicéia (3:18).
E o verso 16 nos dá o endereço da batalha final: um lugar que em hebraico é chamado de Armagedom (deriva do vocábulo har megiddon - YIOK BU), ou montanha do Megido. Na realidade o Megido não é uma montanha e sim uma planície, localizada entre o mar da Galiléia e o mar Mediterrâneo, perto do vale de Jezreel. É um campo de batalha famoso na história de Israel. Foi em Megido que Débora e Baraque derrotaram Jabim (Jz. 5:19); ali morreu o Acazias, rei de Judá, ferido por Jeú (II Rs. 9:27) e Josias na batalha contra o faraó Neco (II Rs. 23:29; II Cr. 35:22). Neste lugar ocorrerá a batalha final entre Deus e Satanás.
E por fim nos versos 17 a 21 encontramos a sétima taça: “O sétimo anjo derramou a sua taça no ar, e do santuário saiu uma forte voz que vinha do trono, dizendo: ‘Está feito!’ Houve, então, relâmpagos, vozes, trovões e um forte terremoto. Nunca havia ocorrido um terremoto tão forte como desde que o homem existe sobre a terra. A grande cidade foi dividida em três partes, e as cidades das nações se desmoronaram. Deus lembrou-se da grande Babilônia e lhe deu o cálice do vinho do furor da sua ira. Todas as ilhas fugiram, e as montanhas desapareceram. Caíram sobre os homens, vindas do céu, enormes pedras de granizo, de cerca de trinta e cinco quilos cada; eles blasfemaram contra Deus por causa do granizo, pois a praga fora terrível.”. Esta voz forte é a mesma do verso 1, ou seja, Deus falando em Sua Soberania. Aqui é o anúncio do julgamento final sobre a capital da besta. Esta taça será derramada no ar, simbolizando a sua universalidade. A declaração de Deus é enfática: “Está feito”. No grego é um vocábulo só, indicando uma ação completa[3].
No verso 18 nos fala o resultado do pronunciamento de Deus: relâmpagos, vozes, trovões e um forte terremoto. Estas são indicações apocalípticas da manifestação gloriosa e poderosa de Deus. No Apocalipse isto aparece outras vezes (4:5; 8:5; 11:19). A capital da besta, Babilônia[4], será dividida em três partes por causa do terremoto. Indica que ela será destruída, assim como as cidades das nações que apoiarão a besta (v.19). Esta ação de Deus indica que, por mais que o mal cresça e aparentemente se torne invencível, Ele se lembrará não para socorrer mas para fazer justiça, derramando cálice de Sua ira sobre Satanás.
O verso 20 nos diz que as ilhas fugirão e as montanhas desaparecerão. Esta é uma linguagem apocalíptica que descreve o fim da antiga ordem, para que surja uma nova ordem, um novo céu e uma nova terra. Na literatura apocalíptica judaica o desaparecimento das montanhas era símbolo do fim do mundo.
E por fim no verso 21 nos fala que os homens serão atingidos por uma chuva de granizo vinda do céu. Só que as pedras pesarão mais de trinta quilos[5], não será uma chuva de granizo qualquer. Novamente isto nos lembra a intervenção de Deus no Egito para libertar os Hebreus (Êx. 9:27). Mas aqui mais uma vez é destacada a dureza do coração humano. Os homens não se arrependerão, pelo contrário, blasfemarão o nome do Senhor.
Este capítulo nos mostra a ação final de Deus contra a terra. Se você perceber atentamente, o texto nos mostra como o coração humano vai estar distante de Deus. Nem mesmo pela dor o homem se voltará a Deus em arrependimento. Por isso a Bíblia diz: “Busquem o SENHOR enquanto é possível achá-lo; clamem por ele enquanto está perto. Que o ímpio abandone o seu caminho, e o homem mau, os seus pensamentos. Volte-se ele para o SENHOR, que terá misericórdia dele; volte-se para o nosso Deus, pois ele dá de bom grado o seu perdão.” (Is. 55:6,7). Hoje ainda há esperança para o homem buscar a Deus. Mas nos últimos dias isto não será possível, mesmo o homem vendo e sentindo na pele a ira de Deus.
PANORAMA DOS JUÍZOS DIVINOS EM APOCALIPSE
Selos
Trombetas
Taças
1
Cavalo branco: Representa o evangelho vencedor em nome de Cristo (6:1,2)
Saraiva, fogo e sangue sobre a terra. A terça parte da terra, das árvores e da erva verde é queimada (8:7)
Terra: Os homens que aceitaram a marca da besta e adoraram a sua imagem são acometidos por feridas malignas e dolorosas (16:2)
2
Cavalo vermelho: Caos social no mundo após o arrebatamento. Guerras, anarquia e revoltas (6:3,4)
Um monte ardendo em chamas cai no mar. A terça parte do mar é transformada em sangue. A terça parte dos navios é destruída (8:8,9).
Mar: Transforma-se em sangue como de um morto. Todos os animais marinhos morrem (16:3)
3
Cavalo preto: Balança, simbolizando escassez e fome. Recessões econômicas, inflação e falta de alimentos básicos (6:5,6)
Uma estrela ardendo cai sobre os rios e as fontes de água. A terça parte das águas se torna amargosa (8:10,11)
Rios e fontes de águas: Tudo se transforma em sangue. O sangue dos santos e profetas é vingado (16:4-7).
4
Cavalo amarelo: Morte e Hades, espada e fome. Multidões irão morrer devido à fome, epidemias e doenças (6:7,8).
A terça parte dos astros escurece, e não brilha mais. Anúncio dos três ais (8:12,13)
Sol: O sol queimará os homens. Apesar do calor intenso os homens se recusarão a se arrepender e blasfemarão contra Deus (16:8,9)
5
Altar: Os mártires clamam por vingança. Começa a perseguição dos cristãos e dos judeus (6:9-11)
A queda de Satanás sobre a terra. Começa a aflição dos homens (9:1-11)
Trono da besta: O reino da besta ficará em trevas. A angústia será tão grande que os homens morderão a própria língua. Mesmo assim blasfemarão contra Deus (16:10,11)
6
Sol, lua e estrelas: Colapso das estruturas da natureza (6:12-17)
Quatro anjos são soltos no rio Eufrates e 1/3 da humanidade é morta (9:12-21)
Rio Eufrates: A sua água secará preparando o caminho para a invasão de Israel pelo Oriente (16:12-16)
7
Sete anjos – sete trombetas: A revelação das sete trombetas (8:1-5).
É o anuncio do fim. O Reino e o domínio pertencem a Cristo (11:15-18)
Sobre o ar: Um grande terremoto dividirá Babilônia em três partes e atingirá as cidades das nações que apoiarão a besta. Pedras de gelo cairão sobre os homens, que ainda assim não se arrependerão (16:17-21) |
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