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25 - Os sete anjos e as sete pragas |
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Ap. 15:1-8
Assim como em outros juízos relacionados com o número sete (selos e trombetas), aqui João no capítulo 15 faz uma introdução ao juízo das sete taças da ira de Deus. João já consegue ver que a revelação está chegando ao fim e isto indica que o livro que está escrevendo também. Vejamos o que podemos aprender nesta introdução das últimas pragas.
No verso 1 João descreve: “Vi no céu outro grande e maravilhoso sinal: sete anjos com as sete últimas pragas, pois com elas se completa a ira de Deus.”. A visão que João teve era espantosa, realmente espetacular. Os sete anjos representam o clímax do juízo divino sobre a humanidade. Sete, como já vimos antes, representa perfeição, é o número completo. É com esta série de juízos que o Anticristo cairá por terra e o mundo sofrerá a sua agonia final.
No verso 2 João diz: “Vi algo semelhante a um mar de vidro misturado com fogo e, de pé junto ao mar, os que haviam vencido a besta, a sua imagem e o número do seu nome. Eles seguravam harpas que lhes haviam sido dadas por Deus...”. João tem uma visão antecipada dos salvos, daqueles que venceram a besta. Estes são os mártires que não se sujeitaram a besta e sua imagem, e foram capazes de morrer por amor a Jesus (14:12). Apesar de terem sido mortos, eles venceram. Esta mensagem deve ter consolado e muito a igreja primitiva. Os primeiros cristãos que estavam sendo perseguidos com certeza receberam um conforto divino com as palavras reveladas por João.
A visão é realmente tremenda. João vê os mártires junto ao mar de vidro misturado com fogo. Em Ap. 4:6 já vimos este mar aparecendo, estando diante do trono de Deus. Aqui João adiciona o fogo ao mar. A cor avermelhada do mar pode simbolizar o fogo e o sangue, ilustrações da ira vindoura. A besta pensava que podia vencer os servos de Deus matando-os, no entanto a morte deles os transportou da terra para o céu. A vitória final foi deles que estarão na presença gloriosa de Deus. O mar de vidro misturado com fogo é a lembrança de que, estando o número de mártires já completado, a ira de Deus será derramada sobre o Anticristo e seus exércitos. João descreve que estes mártires com harpas nas mãos, e estas haviam sido dadas por Deus. Aqui simboliza a vitória. As harpas expressão louvor e adoração a Deus. Os vencedores expressão sua alegria pela vitória com hinos de louvor.
Nos verso 3 e 4 João descreve o cântico:
“Grandes e maravilhosas são as tuas obras,
Senhor Deus Todo-poderoso.
Justos e verdadeiros são os teus caminhos,
Rei das nações.
Quem não te temerá, ó Senhor,
e quem não glorificará o teu nome?
Pois tu somente és santo.
Todas as nações virão e adorarão diante de ti,
pois os teus atos de justiça foram manifestos.”
João diz que este cântico que os mártires estavam entoando era “o cântico de Moisés, servo de Deus, e o cântico do Cordeiro...”. Aqui há uma certa dificuldade sobre os cânticos, se eram dois ou um. Pelo texto parecem que eles estão cantando dois: um de Moisés e outro do Cordeiro. A idéia é que os vencedores estão cantando um hino de triunfo. Talvez o cântico de Moisés[1] seja o da libertação do Êxodo, quando os israelitas foram libertos do Egito. E o cântico do Cordeiro também segue a mesma idéia, já que não é um hino de salvação pessoal, e sim de libertação do ódio e hostilidade da besta. Como escreveu George Ladd: “Da mesma maneira como Deus libertou Israel do Egito, mesmo derramando pragas sobre os egípcios, ele também libertou os santos de adorar a besta, derramando seus juízos sobre os que a adoram.”[2].
O cântico realmente não fala de ato um salvífico de Deus e sim dos poderosos atos dEle. Vejamos abaixo a estrutura do cântico:
- “Grandes e maravilhosas são as tuas obras,...”: A visão aqui nos lembra os grandes feitos de Deus no A.T., quando libertou Israel do Egito e na passagem do Mar vermelho. Deus é visto como aquele que liberta o Seu povo com atos poderosos (Sl. 92:5; 98:1; 111:2; 139:14; I Cr. 16:9).
- “...Senhor Deus Todo-poderoso.”: É um título comum ao Deus Pai no A.T. (Gn. 17:1; Êx. 6:3; Jó 11:7; 13:3; 21:15; 22:3,17; 29:5; 31:35; 34:10,12; 35:13; 37:23; Am. 4:13). No Apocalipse há vários textos também (1:8; 4:8; 11:17; 16:7,14, 19:15; 21:22). Esta expressão nos fala de Deus como Onipotente. A Onipotência de Deus é um dos Seus atributos incomunicáveis, juntamente com a Onisciência e Onipresença. A Onipotência de Deus é moral e física. É moral porque Deus tem poder de não realizar o mal e de não ser tentado por ele. Como nos diz Langston: “Devido à sua onipotência moral, ele não pode mentir, enganar, nem deixar de cumprir as suas promessas, nem pode praticar qualquer ato que discorde de sua natureza moral. Praticar o mal é ser fraco; é carência do poder moral. Quem pratica o mal é por ele vencido e dele torna-se escravo. Deus, porém, não é assim, pois tem o poder de não praticar o mal e nem mesmo pode ser por ele tentado. Que poder maravilhoso!”[3]. O poder moral de Deus significa que Ele não somente abstende-se do mal como também pratica o bem. Não há bem que Deus não possa fazer. E é física porque Ele sustenta o universo e não há nada que não possa fazer. Nisto vemos milagres e maravilhas de Seu poder manifesto no meio do Seu povo até hoje. Isto significa que Deus pode agir na vida das pessoas de forma maravilhosa, porém a Sua soberania é quem determina a ação de Deus. O fato de muitas vezes as nossas orações não serem respondidas de imediato não significa dizer que Deus deixou de ser Poderoso. Ele é Soberano e age quando quer.
- “Justos e verdadeiros são os teus caminhos, Rei das nações.”: Aqui nos fala dos atos verdadeiros e justos do Senhor. Ele não comete injustiça porque isto é incompatível com a Sua natureza. No A.T. vários textos confirmam isto (Dt. 32:4; II Sm. 7:28; Sl. 33:4; 145:17). Por isso Ele é o Rei das nações. Em Jr. 10:7 o profeta diz: “Quem não te temeria, ó Rei das nações? Isto só a ti pertence. Entre todos os sábios das nações, e em todo o seu reino, ninguém há semelhante a ti.”(Bíblia de Thompson, Ed. Contemporânea). Deus reina poderosamente porque controla a história.
- “Quem não te temerá, ó Senhor, e não glorificará o teu nome?”: Aqui aponta para o propósito eterno de Deus, ou seja, fazer com que todas as nações se submetam ao Senhorio de Cristo. Paulo em Efésios 1:10 nos diz que o plano de Deus é “de fazer convergir em Cristo todas as coisas, celestiais ou terrenas, na dispensação da plenitude dos tempos.”. Tudo o que está previsto nas Sagradas Escrituras levará a glorificação de Jesus Cristo (Fp. 2:10,11). A Bíblia aponta para o dia em que Deus reinará soberanamente sobre a terra, cercado somente por aqueles que têm prazer em adorá-lO (Sl. 86:9; Is. 2:3,4; 66:23; Ml. 1:11). Ladd destaca que o cântico dos mártires não tem nenhum vestígio de vingança pessoal contra os inimigos que são atingidos pelo castigo divino. Eles apenas se ocupam em glorificar a soberania de Deus[4].
- “Pois tu somente és santo. Todas as nações virão e adorarão diante de ti, pois os teus atos de justiça foram manifestos.”: Aqui é destacada a santidade de Deus. Só Ele é Santo, não há outro igual. Por isso somente Deus pode ser adorado. As nações se prostrarão diante do Senhor em reverência e temor, porque quando a Sua santidade for manifesta, O será com justiça e julgamento.
Nos versos 5 e 6 João continua: “Depois disso olhei, e abriu-se no céu o santuário, o tabernáculo do Testemunho. Saíram do santuário os sete anjos com as sete pragas. Eles estavam vestidos de linho puro e resplandecente e tinham cinturões de ouro ao redor do peito.”. Após a visão maravilhosa dos mártires, João vê o céu e com ele o santuário de Deus. Isto apareceu no capítulo 11:19. Tudo isto é muito simbólico. Não podemos esquecer que existia uma antiga noção judaica que o templo terreno era apenas uma cópia do celestial. A expressão “tabernáculo do testemunho” refere-se a tenda construída no deserto para abrigar a arca da aliança (Êx. 38:21; Nm. 10:11; 17:7; At. 7:44). O tabernáculo tornou-se modelo para o templo quando este foi construído em Jerusalém. Na visão João mistura as duas visões, tabernáculo e templo, para designar a mesma coisa: o lugar da habitação de Deus.
Da presença de Deus saem os sete anjos. Estes anjos são agentes da ira divina, instrumentos do poder de Deus. João raramente descreve os anjos, porém aqui ele o faz. João diz que os anjos estavam vestidos de linho puro. Este simboliza um ofício honroso e sagrado, a pureza e a santidade dos que assim estão vestidos. No A.T. aparecem visões semelhantes, tais como o escriba do julgamento (Ez. 9:2) e o anjo em Daniel (Dn. 10:5; 12:6). O linho simbolizava pureza.
João também diz que eles tinham cinturões de ouro ao redor do peito. A mesma coisa é dita acerca de Cristo em Ap. 1:13. Em Cristo simbolizava a Sua dignidade, divindade e elevado ofício. É possível que estes anjos, por serem representantes de Deus, participam destas qualidades. Alguns comentadores pensam nestas vestes como sacerdotais, em que os anjos agiriam em favor do grande Sumo Sacerdote, Cristo. Eles levariam o juízo de Deus aos homens. Já outros comentadores pensam que não há nenhuma indicação sacerdotal aqui.
No verso 7 João escreve: “então, um dos quatro seres viventes deu aos sete anjos sete taças de ouro cheias da ira de Deus, que vive para todo o sempre.”. Os quatro seres viventes estavam perto do trono de Deus (4:6). Isto simboliza que as pragas estavam autorizadas por Deus. O vocábulo fialaV (phialas) indica um vaso largo e raso, usado para libação (beber) ou para servir bebidas. Isto já foi comentado em 5:8 onde são mencionadas as taças cheias de incenso com as orações dos santos. As taças aqui trazem a idéia de taça de beber. Estas taças estão cheias da cólera de Deus e que os ímpios terão de beber (Ap. 14:9,10).
E por fim no verso 8 João comenta: “O santuário ficou cheio da fumaça da glória de Deus e do seu poder, e ninguém podia entrar no santuário enquanto não se completassem as sete pragas dos sete anjos.”. No A.T. quando Deus manifestava aos homens a Sua glória, geralmente aparecia a fumaça. No tabernáculo isto ocorreu de tal modo que nem Moisés pode entrar (Êx. 40:34,35). A fumaça é um dos símbolos judaicos comuns para indicar quão terrível é a presença de Deus, pois ele é inabordável em sua santidade, em que um véu de fumaça O separa dos homens (Is. 6; Êx. 40:34; I Rs. 8:10,11; Ez. 10:2-4; 44:4).
João diz que por causa desta manifestação gloriosa de Deus ninguém podia entrar no santuário. A visão é realmente de Deus como inacessível, exceto por ,meio de Cristo. Paulo em I Tm. 6:16 nos diz: “o único que é imortal e habita em luz inacessível, a quem ninguém viu nem pode ver. A ele sejam honra e poder para sempre. Amém.”. A majestade e a glória divina separa o Deus Santo do homem pecador. Ninguém podia entrar no santuário até que a ira de Deus fosse derramada completamente. Este é o propósito pelo qual ninguém pode entrar na presença de Deus. A ira dEle será derramada para produzir restauração. Após isto todos estarão diante da presença do Senhor onde alguns serão recompensados e outros serão condenados.
Como falamos no início este capítulo é uma introdução ao capítulo 16 quando as pragas serão derramadas. Nesta parte do livro de Apocalipse estamos entrando realmente na reta final em que a cena final nos aponta para a vitória final de Deus sobre o mal na pessoa de Satanás. |
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