Parte 24 - A colheita da terra
Ap. 14:14-20



João continua contemplando esta visão e relata a partir destes versículos uma visão sobre o fim, quase como uma antecipação da cena final.

No verso 14 João começa a descrever a visão: “Olhei, e diante de mim estava uma nuvem branca e, assentado sobre a nuvem, alguém semelhante a um filho do homem. Ele estava com uma coroa de ouro na cabeça e uma foice afiada na mão.”. Já vimos anteriormente que a nuvem está ligada com a idéia da aparição da divindade. Quem é este que João vê assentado sobre a nuvem? Este é o Messias, Jesus Cristo o filho do homem. Este texto está em conexão com a vinda do Reino de Deus em Dn. 7:13. O título “Filho do Homem” é um título messiânico que significa que Cristo é o verdadeiro homem, o típico representante da raça humana. Aqui Jesus aparece com uma coroa de ouro sobre a cabeça simbolizando a vitória, a autoridade e o governo. A coroa é de ouro para indicar o grande valor da realeza de Cristo como Rei dos reis. Mas Ele também tinha uma foice na mão e traz a idéia da sega, representando o julgamento.

No verso 15 João continua: “Então saiu do santuário um outro anjo, que bradou em alta voz àquele que estava assentado sobre a nuvem: Tome a sua foice e faça a colheita, pois a safra da terra está madura; chegou a hora de colhê-la.”. Aqui um anjo com uma mensagem vinda da parte de Deus, sai do santuário e fala a Cristo que o Pai deu a ordem para a colheita[1]. Isto ocorrerá no julgamento dos últimos dias no Armagedom.

Em Mateus 13:37,38 Jesus disse: “Ele respondeu: Aquele que semeou a boa semente é o Filho do homem. O campo é o mundo, e a boa semente são os filhos do reino. O joio são os filhos do maligno,...”. A idéia da colheita está fundamentada neste texto. Aqui indica que haverá o momento certo para a vinda de Cristo e o Pai sabe qual é este tempo. Neste dia o trigo e o joio serão finalmente separados.

Depois o texto no verso 16 nos diz: “Assim, aquele que estava assentado sobre a nuvem passou sua foice na terra, e a terra foi ceifada.”. Nesta visão Cristo não usa nenhum dos anjos para este serviço. Ele mesmo é quem ceifa a terra. A ceifa representa o julgamento divino sobre a terra. A colheita é descrita nos capítulos 19 e 20 de Apocalipse.

Nos versos 17 e 18 João vê uma figura de linguagem semelhante, a vindima: “Outro anjo saiu do santuário dos céus trazendo também uma foice afiada. E ainda outro anjo, que tem autoridade sobre o fogo, saiu do altar e bradou em alta voz àquele que tinha a foice afiada: Tome sua foice afiada e ajunte os cachos de uva da videira da terra, porque as suas uvas estão maduras!”. Outro anjo sai da presença de Deus para agora fazer a colheita. Ele é um instrumento da ira divina. João também observa que outro anjo sai do altar – possivelmente o altar do sacrifício e incenso – e este fala com Cristo. É interessante notar que João diz que este anjo tinha autoridade sobre o fogo, talvez uma referência sobre o fogo do altar, ou então o fogo como símbolo de julgamento. A mensagem que este anjo diz a Cristo é que as uvas estão prontas para serem colhidas. O sentido é igual ao da ceifa do trigo, ou seja, não há porque demorar para o julgamento sobre a terra. A figura da colheita das uvas pode ser vista em outras passagens da Bíblia: “Sozinho pisei uvas no lagar; das nações ninguém esteve comigo. Eu as pisoteei na minha ira e as pisei na minha indignação; o sangue delas respingou na minha roupa e eu manchei toda a minha veste.” (Is. 63:3); “Lancem a foice, pois a colheita está madura. Venham, pisem com força as uvas, pois o lagar está cheio e os tonéis transbordam, tão grande é a maldade dessas nações!” (Jl. 3:13).

No verso 19 João nos diz: “O anjo passou a foice pela terra, ajuntou as uvas e as lançou no grande lagar da ira de Deus.”. O texto deixa claro que a colheita aqui se refere a julgamento e não salvação. Em Ap. 19:15 é o Messias que faz a colheita e pisa no lagar. Este julgamento será terrível, e acontecerá no fim dos tempos na batalha do Armagedom.

E por fim no verso 20 João conclui a visão: “Elas foram pisadas no lagar, fora da cidade, e correu sangue do lagar, chegando ao nível dos freios dos cavalos, numa distância de cerca de trezentos quilômetros.”. Trezentos quilômetros se referem a 1600 estádios. Um estádio correspondia a 185 metros e corresponderia a 296 Km. A visão é muito estranha. O que significaria esta distância? Toda a Palestina tem um comprimento de cerca de 300 Km. É possível que se refira à terra de Israel, pois o vale do Megido (Armagedom) fica lá. A idéia é de um massacre militar, em que os ímpios, expulsos da presença de Deus, serão aniquilados[2]. Mas que cidade é esta que aparece no texto? Jerusalém é esta cidade e ela fica próxima do último campo de batalha. Ali no vale do Megido o Anticristo e as nações ímpias serão destruídos.

João parece descrever os últimos atos da história da humanidade. Estas visões que antecedem as taças representam o terceiro ai – que surge após a sétima trombeta – e mostra antecipadamente a vinda do Reino de Deus. Que possamos estar atentos aos sinais da vinda do Cordeiro. Ele virá agora não como Salvador, e sim como Juiz, trazendo consigo uma foice.
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