Parte 21 - A besta que saiu da terra
Ap. 13:11-18



Se o Dragão representa Satanás, e a Besta que saiu do mar o Anticristo, então quem seria esta Besta que sai da terra? Seria um falso profeta? Um sistema religioso corrompido? Ou uma faceta do Anticristo? Vejamos o texto bíblico e examinemos quem será este ser maléfico. É importante salientarmos que todo o capítulo 13 faz parte de uma só visão de João.

No verso 11 João descreve: “Então vi outra besta que saía da terra, com dois chifres como cordeiro, mas que falava como dragão.”. Ladd não vê nenhum significado no fato da segunda besta sair da terra[1]. Porém Champlin vê que as palavras poderiam indicar que a besta estaria saindo de dentro da terra, ou seja, do Hades[2]. Em Dn. 7:3 as quatro bestas emergem do mar, mas em 7:17 elas emergem da terra. No caso do nosso estudo aqui, a primeira besta emerge do mar, ou seja, das nações. Será fruto da paganização das nações a segunda besta sai da terra, mas que terra é esta? Não há consenso, mas há quem pense na terra da Palestina, mais precisamente da cidade de Jerusalém. Não há certeza quanto a isto.

João relata a aparência desta besta. Possuía dois chifres, em que a intenção é mostrar aparente mansidão, pois seria como um carneiro de dois chifres, e não um monstro como a primeira besta. Em Dn. 8:3 aparece uma visão semelhante que no caso falava do império Medo Persa. Esta aparente mansidão será uma imitação barata de Cristo como profeta. Mas a fala desta besta, apesar da aparência, será como a de um dragão. Ou seja, a inspiração do discurso virá do próprio Satanás. Da mesma forma que Cristo foi inspirado pelo Espírito Santo e falava em nome do Senhor, assim também será com este falso profeta. Ele será possuído por um poder satânico e falará em favor do reino das trevas.

Concluímos que esta segunda besta será o falso profeta que aparece no restante do livro do Apocalipse (16:13; 19:20; 20:10). Ele será o promotor da falsa religião que levará o mundo a adorar o próprio Diabo. A primeira besta incorpora o poder civil; a segunda o poder religioso, e que dará apoio ao poder civil. Este falso profeta terá aparência de alguém santo e puro.

Nos versos 12 e 13 João continua: “Exercia toda a autoridade da primeira besta, em nome dela, e fazia a terra e seus habitantes adorarem a primeira besta, cujo ferimento mortal havia sido curado. E realizava grandes sinais, chegando a fazer descer fogo do céu à terra, à vista dos homens.”. Em II Ts. 2:9,10 Paulo nos fala que o aparecimento do iníquo será pelo poder de Satanás, através de sinais e prodígios da mentira. Tanto a besta, como o falso profeta, serão a manifestação do poder de Satanás. O falso profeta estará submisso a besta e fará de tudo para que os homens adorem o Anticristo. E como será isto? Este falso profeta usará o argumento da ferida que fora curado de forma sobrenatural. Mas não somente com isto. Usará de sinais, pseudomilagres que enganarão os homens. O falso profeta terá poder de descer fogo do céu. Seria uma imitação daquilo que o profeta Elias fez nos tempos do A.T. Em Mc. 13:22 Jesus advertiu: “Pois aparecerão falsos cristos e falsos profetas que realizarão sinais e maravilhas para, se possível, enganar os eleitos.”. Em Dt. 13:1-3 o Senhor adverte sobre os falsos profetas que fazem sinais e prodígios, e que no fim levariam o povo a adorar ídolos. Ele fará descer fogo do céu para enganar os homens.

Nos versos 14 e 15 continua a descrição: “Por causa dos sinais que lhe foi permitido realizar em nome da primeira besta, ela enganou os habitantes da terra. Ordenou-lhes que fizessem uma imagem em honra à besta que fora ferida pela espada e contudo revivera. Foi-lhe dado poder para dar fôlego à imagem da primeira besta, de modo que ela podia falar e fazer que fossem mortos todos os que se recusassem a adorar a imagem.”. João deixa clara a razão dos sinais e prodígios operados pelo falso profeta. No texto grego aqui temos o vocábulo planaw (planao), que significa “enganar, desviar”. Os homens serão desviados totalmente do caminho da salvação. Este falso profeta vai promover ferozmente a idolatria da besta – no caso aqui o Anticristo.

Nos dias de João os cristãos eram perseguidos por não adorarem outros deuses. A visão monoteísta dos cristãos era tida como ateísmo pelos pagãos. Naqueles dias havia uma forte propaganda para adorar a imagem do imperador romano. Os cristãos que se negavam a adorar a imagem eram mortos, acusados de traição. Calígula provocou um tumulto em Jerusalém porque queria sua imagem no Templo. O intuito dele não chegou a ser concretizado por ter sido assassinado antes da carta com a ordem chegar a Jerusalém. Os cristãos que leram pela primeira vez esta mensagem com certeza se identificaram com as visões de João.

Mas o falso profeta não apenas promoverá a idolatria, como também fará com que a imagem fale. Na antiguidade há vários mitos e lendas de estátuas que falavam oráculos e que curavam. A idéia aqui é que a vivificação aparente da imagem será uma reivindicação de poder divino, ou seja, de ser capaz de criar a vida, como Deus. O falso profeta não fará isto de si mesmo, mas terá permissão a fazê-lo em nome da besta.

Com certeza muitos ficarão espantados e adorarão a imagem. Quem se recusar a isto será morto. Da mesma forma que os cristãos primitivos eram mortos por não adorarem a imagem do imperador, assim também será com aqueles cristãos que ficarem na grande tribulação, e com os judeus piedosos que não aceitarem adorar a imagem da besta.

Nos versos 16 e 17 João continua: “Também obrigou todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e escravos, a receberem certa marca na mão direita ou na testa, para que ninguém pudesse comprar nem vender, a não ser quem tivesse a marca, que é o nome da besta ou o número do seu nome.”. O poder do Anticristo não encontrará limites. Ninguém escapará disto, exceto os escolhidos que foram selados (cf. 7:3). Da mesma forma que Deus selou os seus, o Anticristo marcará também aqueles que lhe adoram. Não haverá resistência no mundo quanto a esta política. Como escreveu Champlin: “Ninguém será tão pequeno que escape à sua atenção. Ninguém será tão rico que possa subornar ao anticristo; ninguém será tão pobre que o anticristo não julgue sua lealdade. Ninguém será tão livre que possa reivindicar o direito de não prestar lealdade ao anticristo. Ninguém será tão humilde e miserável em sua servidão, sem importar qual tipo, que o anticristo não exija sua adoração.”[3]. Ele unirá a política e a religião. A marca da besta terá utilidade religiosa e econômica. Ninguém poderá comprar ou vender sem a marca que é o nome da besta ou o número de seu nome.

No verso 18 João mostra o que vem a ser esta marca: “Aqui há sabedoria. Aquele que tem entendimento calcule o número da besta, pois é número de homem. Seu número é seiscentos e sessenta e seis.”. João entende que seus leitores saibam calcular o número e assim discernir quem seja o anticristo. Possivelmente João usou um código para evitar que os cristãos de sua época fossem perseguidos. É interessante notar que João diz que o número da besta é número de homem.

O número seis é mencionado 199 vezes na Bíblia. Seis representa o número do homem justamente porque o homem foi criado no sexto dia da criação. Seis está aquém do 7, que é o número da perfeição. Christian Chen diz que seis “é o número do homem no seu estado de independência sem o cumprimento do eterno propósito de Deus.”[4]. Se seis representa o homem em sua imperfeição, em estado de independência de Deus, ou seja revolta, então 666 representa a imperfeição e a revolta em seu estado mais agravante. Alguns estudiosos entendem que o nome desejado por João a referir-se ao número da besta fosse Neron Caesar, em que o cálculo é feito à base das letras gregas, “Neron Kaisar” (Neron Kaisar). O nome dele, transliterado para o hebraico daria 666[5]. Portanto, para os cristãos que estavam sendo perseguidos, o anticristo era o imperador romano.

Devemos entender que o Anticristo fará uma aliança mundial em torno de si mesmo, unindo as duas grandes forças que sempre controlaram a história: a religião e a política. Ele controlará o comércio, a indústria e os negócios do mundo com o seu código. Há muitas evoluções no campo da ciência, estudos sendo feitos para unir mais as pessoas como códigos de barras, chips inteligentes, etc. É neste caminho que o mundo está indo. O Anticristo se aproveitará disto para levar as pessoas a total cegueira espiritual.
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